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Ode aos intelectuais alagoanos perseguidos

Uma classe social letrada não é sinônimo de refinamento de gosto ou mesmo de profundidade cultural, pois quando o material distinto utilizado por ela é a manutenção do status quo e assentamento sobre espaços de poder no intuito de gozar privilégios, sobeja-lhe o autoritarismo como característica principal.

A  morte do refinamento autêntico, de sensibilidade social e até mesmo de respeito ao ato criador que eleva a sociedade através das comunicações artísticas, entre elas a escrita, se manifesta nesta classe dita dominante como ato persecutório ao escritor, escritora, dentro do ramo profissional que o habilite a exercer sua valiosa função social.

Este peso histórico raros governantes alagoanos não carregam. A maioria deles atua transformando secretarias de comunicação  em adestradoras de intelectuais, utilizando para isso os mais estúpidos métodos de controle, que vão desde as tentativas de dificultar a sobrevivência material dos indivíduos ao ato político de torná-lo “maldito” entre os poderosos e seus asseclas ou vassalos.

Como a escrita autêntica não costuma se revelar no formato de laudatórios os governantes brutos não conseguem relacionamento dialético com cidadãos criativos, por mais éticos que estes se mantenham. Pois o gosto pelo louvor descabido mora nos gabinetes mais desprovidos de essência democrática.

Essa face alagoana coronelista está encontrando espaço em cada ponto de poder social instituído, principalmente neste momento histórico desmontado pelo fenômeno dos influencers, os sofistas do século XXI, que se pretendem substituir intelectuais, mas continuarão sendo apenas repetidores de ordens mercadológicas, seja em qual tom se exprimam.

Alagoas nunca foi pobre de inteligência, mas sempre minguou no respeito a quem a utiliza como parâmetro existencial.

Deste modo, registramos nosso respeito por todos os profissionais das letras e das artes que resistem ao assédio ininterrupto dos poderes alagoanos cerceadores de criatividade democrática, pois nesta tensão a vida transborda cada vez mais motivações para reafirmar que todo poder temporal tem seu momento de erguida e de tombamento.

Viva a inteligência subversiva!

 

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