O “teste de fogo” de Flávio Bolsonaro rumo a 2026

A Avenida Paulista voltou a ser o termômetro da direita brasileira neste domingo (1º). Sob o mote “Acorda Brasil”, milhares de apoiadores se reuniram em um ato que misturou o tom de campanha antecipada com pedidos inflamados por intervenção externa e liberdade para condenados pelos ataques de 8 de janeiro.

No centro dos holofotes, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estreou em manifestações como pré-candidato oficial à Presidência, tentando consolidar seu nome após pesquisas indicarem um empate técnico com o presidente Lula.

Acompanhado de perto pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), Flávio Bolsonaro adotou um discurso focado na anistia e na crítica ao Judiciário.

O senador classificou os detidos pela trama golpista como “inocentes” e prometeu derrubar vetos presidenciais para garantir a liberdade dos condenados.

Entretanto, o clima de união no palco contrastava com as ausências notáveis nos bastidores.

Michelle Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas não compareceram, alimentando rumores de rachas internos.

Enquanto Tarcísio cumpria agenda na Alemanha, a ex-primeira-dama foi defendida por Jair Bolsonaro em uma carta lida no evento, tentando estancar críticas de que o apoio à candidatura de Flávio estaria “aquém do desejável”, frase dita recentemente por Eduardo Bolsonaro.

O público presente não economizou em pedidos radicais. Faixas e discursos defenderam abertamente:

  • Intervenção de Donald Trump nos assuntos internos do Brasil;

  • Impeachment imediato de ministros do STF e do presidente Lula;

  • Tratamento de figuras como Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli como “exilados políticos”.

Eduardo Bolsonaro, inclusive, participou via vídeo diretamente dos Estados Unidos.

Ele foi condenado pelo STF e perdeu o mandato por excesso de faltas. Já Carla Zambelli, presa na Itália desde julho de 2025, foi lembrada por familiares presentes no pé do trio elétrico.

Contradições e ataques no telão

Em uma tentativa de aceno ao eleitorado feminino, Flávio afirmou que as mulheres foram “protegidas” na gestão de seu pai.

O discurso, porém, esbarra nos dados oficiais: durante o governo Bolsonaro, a verba para o combate à violência contra a mulher sofreu um corte drástico de 90%.

O encerramento do ato foi marcado por um vídeo agressivo sobre segurança pública. As imagens intercalavam cenas de assaltos com fotos de Lula e aliados.

O conteúdo gerou polêmica imediata ao exibir ataques de cunho racista e transfóbico direcionados à deputada Erika Hilton (Psol-SP), utilizando termos como “pretos que viram brancos”.

“Deus vai abrir esse mar para a gente atravessar e, do outro lado, a gente vai cantar o hino da vitória”, declarou Flávio Bolsonaro ao encerrar o evento, selando o tom messiânico que deve pautar sua corrida ao Planalto.

.