Era um vez um país que aprendeu a brincar de ser laico, sendo possuidor de variadas expressões de religiosidade, fruto de sua própria história e criação social, que sempre acreditou viver feliz para sempre nos estreitos das manutenções culturais, apesar de todas as desigualdades que lhe marcavam os dias.
Um terrível racismo estrutural contido nos porões das consciências, nele gestou uma assepsia tóxica, que selecionou legítimos e ilegítimos aos olhos incoerentes de uma divindade a qual todos diziam ser onipresente e onisciente em amor incondicional. O fundamentalismo religioso rasgou as comportas da civilidade que uma democracia jovem lutava para manter no lugar. Em nome de um estranho amor, gritos de ódio rebentaram em ecos.
Tal amor contaminado pelas baixas expectativas de castas empoderadas, armou ofensiva mortal para a tomada do poder político, utilizando os canais da assepsia tóxica para convencer grande número de incautos afogados em patê de ego, de que a própria divindade que assim determinava.
Lideranças religiosas aparvoadas, morderam a isca e através dos múltiplos canais disponibilizados pela tecnologia deram vozes às trevas, rompendo tratados de ética e jogando às traças os princípios de laicidade. O Velho Testamento em caricatura ganhou o cenário.
O Estado religioso se tornou propósito. A mentira asséptica dividiu os gostos humanizados da divindade e em seu nome a miséria da maioria se tornou elemento de força da tirania abençoada pela representação mais tosca desse amor. A teoria da prosperidade não contempla a todos.
Os últimos no escalão das legitimidades se tornaram os primeiros a compreender o fenômeno perigoso que se institui a cada dia no país da terra plana – travestido de tradição e conservadorismo, sendo na verdade, ainda muito pior do que todos os conceitos tradicionais e conservadores sobre os quais já tenhamos debatido.
O país da falsa laicidade agora empunha uma bíblia como estigma da liberalidade supraeconômica, pois busca implantar relações desumanas que assentam o poder e a força das instituições contra os povos mapeados para o extermínio, habitantes legítimos do país agora afogado em ignorância e obscurantismo, lutando para respirar.
Os condecorados ainda estão decidindo se implantam ditadura ou monarquia.
