Tenho visitado ainda que sorrateiramente, um centro espírita.
Aconteceu o encontro sem nada marcado, nem busca consciente, no entanto, olhar para o ambiente me trouxe memórias.
Quantos anos fazendo destes territórios referências de amor?
Anônima e observadora, me permiti sentir a proximidade material e espiritual, sem julgar, sem rejeitar. Afinal, a rejeitada fui eu, quando assumi posicionamentos políticos críticos, em um momento histórico que não poderia ignorar, como espírito encarnado.
Mas agora uma brisa nova bate no meu rosto sem maquiagem.
É o olhar humano que desponta para observar outros humanos. Força do aprendizado empírico, sobre as bases teóricas que orientam a busca pelo amor que se dilui em vivências e impulsiona sentimentos, aperfeiçoando pensamentos. O Livro dos Espíritos entrou no meu coração para agoniar, desestabilizar, confortar e indicar o rumo, porque a tempestade saiu de mim, está no mundo.
Também nós estamos neste mundo, entre tempestades. Me parece injusto que os ideais arcaicos pareçam dominar o que ecoa dentro das paredes nestes centros espíritas que hoje também me assustam, mas o local que silencia a voz da crítica, talvez não tenha conseguido abafar a voz do amor.
O amor humano está amordaçado nestes centros espíritas. Mas onde estará o amor de Deus?
Enquanto não o libertarmos dos nossos conceitos, este amor ao qual chamamos de maior movimenta dialéticas.
E de alguma maneira, sinto que nenhuma parede pode me impedir de sentir a brisa amorosa da vida, que também é Deus, mesmo dentro de um centro espírita autoritário, classista, e na pior das hipóteses bolsonarista.
Nostalgia dos ritos com palestras e passes? Talvez sim. Mas não é errado sentir saudades.
Até aqui olhei, ouvi e senti. De algum modo, sou parte deste evento histórico e também estou participando de um movimento renovador, que planta os centros espíritas no coração de cada um.
Estarmos dispostos ao recomeço é uma possibilidade. Onde a morte não prospera recomeçar é receber Deus.




