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O que virá depois do #ForaBolsonaro ?

Estamos todos perplexos diante do amanhã que a política partidária (essa que determina como se nasce, come, vive e morre no planeta através de projetos, sistemas, leis e decretos institucionais que refletem condicionantes sobre as nossas histórias) apresenta de maneira imediata para nós.

Hoje eu não quero perder meu tempo ouvindo as narrativas escorregadias dos que vivem distantes da fome e saciam suas ânsias nas folhas de seda do status quo. Hoje eu olhei para a terra e vi a poeira que sufoca a garganta de quem não possui nem mesmo água para beber.

O ano que finda não apaga a dor lancinante que feriu nossas famílias. Não houve salto humanitário para o povo que perdeu e sofreu, e nem foi possível colocar Deus como tampão de tantas feridas, nem responsabilizar sua toga pelo sacrifício de tantas vidas; a história política é da sociedade.

Muitos se jogam na embriaguez de um recomeço, estampando o medo que constrói um amanhã de fome e enfermidades, gerando fugas e derrocadas precoces. O psiquismo societário global está acossado pelas inseguranças e as entrelinhas cotidianas do Brasil sopra um tição na esperança da brasa, para aclamar um desejo de sobrevivência que grita pela boca de quem sonha.

Não há caminhos lapidados. O incerto que nos ameaça detém poder de justiçamento e onera corpos e mentes com sobrecarga de problemas e pesares.

Os complexos caminhos ainda estão fechados, embora pelas frestas das janelas entrem possibilidades de ação contrária, com o retorno ao lugar de referência na luta começada do zero, outra vez.

Temos apreciado em silêncio as vozes políticas brasileiras e o canto da morte que reverberou na extrema-direita fortalecido pelo coro afinado da direita maquiada de centro negociável, inclusive com a esquerda.

Onde não se fala nem se aplica Direitos Humanos não bastará ser contra Bolsonaro. O país está ferido e arquejante, a humanidade necessita ser recolocada em pedestal de valor.

Que nossos olhares não se percam nos horizontes infinitos em busca de “apenas” derrubar Bolsonaro, o eco da morte. Precisamos de agora traçar caminhos de vida e incluir nesta pauta aquilo que os algozes transformaram em matéria de risos e deboches, porque Direitos Humanos marcam o ponto real da nossa existência histórica e democrática.

Mesmo percebendo que estamos aceitando conluios mercadológicos como quesitos de força, nossas esperanças de que estes não se tornem vozes hegemônicas tenta furar este céu nublado.

O cenário está arrasado, mas a nossa consciência humanitária precisa elencar pautas de valores próprios, para que nossas lutas não se resumam a medições de forças, sabendo que o poder é sempre modelável.

Quem não estará com receio do amanhã?

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