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O que perdemos neste Estado de Polícia no qual vivemos

Os riscos em se constituir uma sociedade amparada no Estado de Polícia são diversos, e por mais “asseados” que nos pareçam os discursos, no pano de fundo de cada um deles há um louvor à ostentação da força.

Em uma democracia real o controle maior deve ser o “controle social”, feito coletivamente e com amparo das leis, estas aplicadas de maneira “imparcial”. A participação cidadã não comporta medos.

O Estado de Polícia “controla” pela coerção, e o fio tênue que o separa da violência está na “interpretação” da lei, que pode ser parcial, dependendo do contexto e intencionalidades. Todas as ditaduras postas na história da humanidade utilizaram a beligerância institucionalizada.

Se a violência é reconhecidamente um problema social atrelado a fatores básicos de sobrevivência e ausência de cidadania, qualquer solução imediata apresentada em larga dissociação destas questões será uma maquiagem que apenas aparentará melhora. As causas continuando, os efeitos irromperão, mostrem ou não na mídia.

Entregar a sociedade às ideologias policialescas como forma de prestígio político, contendo indignações e ampliando os portais para uso da força, é uma tática antiga de poder, porém, revela o teor maléfico e antissocial da gestão pública que assim atua.

Quando as tarefas cotidianas impostas para garantirem a sobrevivência e pensar pouco no sentido das coisas, nos permitirem parar, sempre é válido refletir sobre o percurso histórico da ortodoxia política pelo mundo. Além da condução premeditada das fragilidades das massas, gerando necessidade e dependência do Estado ou dos seus representantes, o poder utiliza um exército que atua sem farda, no cotidiano, em forma de agentes públicos ou não, na representação familiar e, principalmente, na religiosa, para acalmar ânimos e conformar condutas.

Em nome de Deus a humanidade condena, viola e mata. A consciência que se autopurifica exterminando o alheio revela a psicopatia de uma elite “celestial” na terra, pronta a avançar contra aqueles aos quais enxerga como uma ameaça ao “controle” que exerce.

Falamos de uma junção perigosíssima: o Estado de Polícia versus Controle Religioso da Política. Qualquer semelhança com o cenário brasileiro não é coincidência, pois estamos repetindo caminhos velhos de dominação.

O pensamento libertário oriundo do conhecimento político-social sempre incomodou o poder. Não é deste século a tentativa de “despolitizar” a educação em nome de Deus e da Família. O poder sempre gerou seus escudos “assépticos” contra os seres humanos normais, ou seja, aqueles que sentem e gozam e sofrem, como gente, e assim pensam e agem.

Em nome dessa compreensão, deixo minhas condolências e desejo de melhoras à esta enferma democracia na qual o Brasil está assentado, com os brasileiros tendo cada vez menos direitos, na contrapartida da submissão total ao Estado e seus aparatos de dominação.

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