BLOG

O que fizeram com suas dores mães alagoanas?

Há quase nove anos que me reinvento. Ora sou planta, ora sou terra. Sou poesia, sou melancolia; política, humanista, escritora e artista. Em outro instante sou fibromialgia.

A dor quando é grande demais provoca lordose moral. A gente curva e os olhos só enxergam o chão. Consequências de um luto que o tempo não desgasta, não desbarata, não faz nada do que as pessoas dizem que o tempo vai fazer. A gente nunca esquece filho.

O assassinato de um filho não pode ser banalizado, naturalizado, romantizado.

Matéria do El País fala sobre as mães cariocas que lutam juntas pela visibilidade da dor, pela memória dos seus filhos, que assim como em Alagoas, o Estado devora, a sociedade macula e a família sofre ainda mais.

Mas as mães alagoanas choram em silêncio.

Se eu pudesse dizer para elas que este silêncio fortalece o opressor e alimenta a fome do assassino, eu diria. Mas a maioria delas aceitou a versão externa, aceitou que a culpa sempre é da vítima. Não tenho como mexer na ferida guardada.

Mas elas estão erradas! A vítima nunca é culpada! É vitimada.

Luta solitária, também é luta.

Minha dor não é acolhida por movimento algum, nem branco nem negro, mas impulsiona minha coragem, a cada novo amanhecer.

Ninguém tem o direito de matar nossos filhos. Nossos amores merecem viver!

Nada pode justificar um corpo caído. O exercício mais espúrio da grande inveja humana, destruindo o que não pode criar, levará sempre o meu repúdio.

Mesmo solitária e reinventando as palavras, eis-me mãe alagoana em defesa da memória, como exercício político de amor.

SOBRE O AUTOR

..