A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre a chamada “Abin Paralela”, um esquema de espionagem ilegal que teria sido operado dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação resultou no indiciamento de 35 pessoas, incluindo Bolsonaro, seu filho Carlos Bolsonaro e o deputado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin.
O esquema de espionagem
Segundo a Polícia Federal, a estrutura da Abin foi utilizada para monitorar opositores políticos, autoridades públicas e até aliados sem justificativa legal. O esquema envolvia o uso do software israelense FirstMile, capaz de rastrear a localização de celulares sem autorização judicial. A ferramenta teria sido empregada para acompanhar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), deputados e jornalistas, além de fornecer informações estratégicas para o chamado “gabinete do ódio”, operado por Carlos Bolsonaro.
Evidências da ligação com Bolsonaro
A investigação revelou um áudio clandestino de uma reunião entre Bolsonaro e Ramagem, na qual discutiam estratégias para blindar Flávio Bolsonaro das investigações sobre o caso das rachadinhas. O áudio foi encontrado em um computador de Ramagem e indica que a Abin teria sido usada para desacreditar auditores da Receita Federal que investigavam o senador.
Além disso, documentos apreendidos mostram que a Abin forneceu relatórios de inteligência para orientar a defesa de Flávio Bolsonaro e que informações sigilosas da Polícia Federal foram acessadas e utilizadas pelo ex-presidente em transmissões ao vivo para questionar a segurança das urnas eletrônicas.
Reações e próximos passos
O indiciamento de Bolsonaro e seus aliados gerou reações tanto de governistas quanto de opositores. Enquanto aliados do ex-presidente classificam a investigação como “perseguição política”, membros do governo Lula afirmam que o caso demonstra um aparelhamento ilegal do Estado para fins privados e políticos.
O relatório final da Polícia Federal foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, que decidirá se aceita a denúncia e transforma os indiciados em réus. Caso isso ocorra, Bolsonaro e os demais envolvidos poderão responder por crimes como organização criminosa, abuso de autoridade e violação de sigilo funcional.






