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O que é justiça no Brasil hoje?

Precisamos contemplar os fenômenos da contemporaneidade brasileira com muita calma, desafiando nossa capacidade de compreensão dos efeitos do caos, que vem transformando o cidadão em personagem distante das leis e regras que pactuam o direito social, jogando todas as situações para o alto egóico das opiniões pessoais.

Quem nos transformou em torcedores, quando deveríamos agir como analíticos? Como partes de uma espécie que precisa ser protegida dos próprios desvarios, estamos nós, povo brasileiro incorrigíveis no quadro atual?

Pouco importa se há crime ou não, quando a torcida defende um rosto escolhido. Isso é impactante. Porque naturaliza a ação criminosa, quando é cometida por uma referência de paixão política.

Já vimos exemplos de desumanização chocantes, movidos pela mesma base seletiva que insensibiliza diante de maldades, como bonecos perfurados simbolizando Marielle Franco (vereadora do Rio de Janeiro brutalmente assassinada em 2014) e comemoração da morte de uma criança por ser neto de Luis Inácio da Silva, que foi julgado e condenado com parcialidade sem ter as culpas que se lhe atribuíam.

Jair Messias Bolsonaro é inocente?

Quem diz isso não será a minha nem a sua opinião. Mas o corpo de leis que regem a Constituição, orientando referências de atitudes nos espaços de poder e decisão no qual atuou enquanto presidente do Brasil.

Apesar de citar o fato, a reflexão se dirige ao caminhar dessa nação rumo à buscas de punições para as pessoas odiadas.

Esse caminho não é apenas desgastante para as relações, é também nocivo ao próprio sistema jurídico, que é devassado por descrédito quando não corresponde ao esperado.

Atrelado a esse frenesi de incapacidades relacionais democráticas já estamos assistindo tentativas insanas de resolver impasses com violência localizada, e entre todas as perdas sociais que acumulamos, perder a paz por causa dos interesses de grupos políticos se revela a mais cruel.

Haverá saída civilizatória para o nosso país?

 

 

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