Na história que resumo em primeira pessoa, em partilha com quem alimenta interesses pela escrita, valorizo a não desistência como o maior prêmio que pude receber.
Nasci com essa marca na testa ou desenvolvi a habilidade em condições supra adversas? Pouco importa essa resposta. Muito cedo adentrei no universo letrado e mergulhei menina e livre na escrita.
Quando dizia que seria escritora as pessoas adultas sorriam, em descrença “natural” como parte do território onde crescia.
Na juventude também recebi pouco incentivo, e uma cartomante disse que um dia eu publicaria um livro. A data em aberto me deixou meio sem graça, mas quando somos muito jovens qualquer faísca já presume fogaréu.
Escrevia. Escrevia.
Tinha como referência múltiplos gêneros, estilos e palavras proibidas, encontradas nas leituras infratoras que também fiz.
Ao conseguir ler sobre Teologia da Libertação em italiano, entendi que limites são menores que pessoas determinadas. E isso não me blindou das frustrações. Mas me manteve crente no potencial.
Vida comum é alimento para a escrita mas não abre vaga no cenário do mundo para quem escreve. A academia parecia promissora. Uma enxurrada de livros potentes, debates acima da média e a contemplação da vaidade acadêmica, foram absolutamente marcantes, mas de lá outros ensinos vieram.
Como alguém tão subversivo (no caso, eu) conseguiria mirrar para o discipulato de pessoas doutoras? Outras impossibilidades do não-título se revelaram. Escrever não era admitido no estamento basilar onde me encontrava.
Para não esticar o conto, aponto para o dardo envenenado que me tirou da morte anunciada pelo mercado editorial: a morte matada de um amor imortal.
Bastidores da Violência (e dos violentos) em Alagoas foi o primeiro livro que publiquei, em parceria com Odilon Rios.
Já não ouvia os risos descrentes, nem as placas de inconveniência que eram espalhadas no caminho. Eu precisava dizer, e com isso, historiografar uma injustiça normalizada.
Agora, com data marcada para publicar o décimo quarto livro, agradeço aos que me deram suporte para nunca ter desistido.
Ser escritora premiada é continuar escrevendo.







