Não basta ter um título eleitoral na mão para alguém acreditar que vive uma democracia. Em nome dos processos democráticos, quantas feridas letais se podem abrir nela?
Entramos na era dos circos antidemocráticos equipados com os instrumentos da democracia, e nosso Brasil se revela insipiente em saberes, duvidoso em ideais de futuro e frouxamente amarrado nas vias formais enquanto estas se encontram literalmente arrastadas pelas barras das saias das instituições
Se não estivéssemos enquanto nação, tão ocupados com as mensagens dos youtuberes domésticos de cada dia, que incentivam as crianças a comerem doces para mantê-las entretidas, os jovens a comprarem tudo, enquanto não olham mais nos olhos da família e os adultos a odiarem o comunismo, o PT e o Lula enquanto perdem direitos conquistados com sangue e suor de muitos trabalhadores, talvez não fosse tão fácil destruir as garantias de bem estar coletivo.
Os fantoches de Bolsonaro já largaram corrida em busca de assinaturas para o partido “frankenstein” denominado Aliança pelo Brasil; uma mistura de propósitos anti-liberdade e grosso caldo de influência integralista, que pode explodir na cartorialização do nazifascismo brasileiro em pleno século XXI.
Se o título de eleitor já nos reforçou os grilhões por tantas vezes, e através dele parte desta nação mergulhou em autofagia, ele ainda pode servir para selar o destino da moribunda democracia.
Parece simplista, mas é preciso reafirmar que não basta um título de eleitor na mão para transformar alguém em cidadão.
No Brasil título de eleitor e arma de fogo vão se tornando a mesma coisa e estranhamente, em nome dos discursos democráticos, não há combate a esta letalidade.
Um perigoso não-dito ganha forma e está alimentado com dinheiro público.
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