O PAC do Cachoeira

O ex-presidente nunca teria perdoado o fato de o tucano haver dito, publicamente, que o alertara sobre a farra dos mensaleiros antes de o escândalo vir à tona

Plácido Fernandes Vieira- Correio Braziliense

A operação para desmascarar e desmoralizar  Demóstenes Torres, o falso paladino da ética (função que assumiu após o  naufrágio petista no pântano do mensalão), deu tão certo que Lula &  Cia. logo se animaram em transformar numa CPI mista as investigações  sobre as ligações políticas do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Além de  desviar as atenções do julgamento do mensalão no STF, queriam levar de  rodo o governador de Goiás, Marconi Perillo.

O ex-presidente nunca  teria perdoado o fato de o tucano haver dito, publicamente, que o  alertara sobre a farra dos mensaleiros antes de o escândalo vir à tona.  Na época, a declaração pôs lenha na fogueira dos que propunham o  impeachment de Lula. Mas, menos de 24 horas após anunciar com  estardalhaço a criação da CPI, aliados pressentiram que podiam estar  indo longe demais. Os negócios escusos de Cachoeira perpassam e muito os  limites do arraial goiano.

Mesmo com o PT tentando restringir o  foco das investigações à oposição, é grande o risco de as águas tragarem  figurões petistas, peemedebistas e de outros partidos da base de Dilma  no Congresso. O tsunami também ameaça o DF, estados, municípios e pode  bater às portas do governo federal. Afinal, até agora, vieram à tona  apenas parte das gravações feitas pela Polícia Federal na Operação Monte  Carlo. E, a exemplo do delator Durval Barbosa, no caso Caixa de  Pandora, são grandes as chances de haver escutas e filmagens feitas pelo  próprio Cachoeira. É aí que mora o imprevisível.

Não custa  lembrar que o primeiro escândalo da era Lula, o caso Waldomiro Diniz, é  atribuído justamente a gravações clandestinas do bicheiro: um flagrante  do então homem de confiança do ministro José Dirceu pedindo dinheiro ao  contraventor para campanha eleitoral. No Planalto, o medo maior é de que  a CPI saia de controle e exponha as relações do governo com a Delta  Construções, principal tocadora de obras do Programa de Aceleração do  Crescimento (PAC). Suspeita-se que Cachoeira seria um dos sócios da  empreiteira, que tem sede no Rio, faturou cerca de R$ 4 bilhões somente  nos oito anos da administração lulista e, nas eleições de 2010, doou R$  2,3 milhões ao PT e ao PMDB nacionais.

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