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O luto e as lutas dos espíritas

O momento político, sanitário, econômico e cultural brasileiro tem desfavorecido a vida corpórea com suas necessidades engrenadas no funcionamento orgânico.

Para além de uma filosofia punitiva de caráter místico com ares planetários, somos vítimas das escolhas humanas em nível político, no arrastar das determinações impostas pelo poder terreno e seus manobristas. O céu não nos pune, e a morte por doenças evitáveis ou diminuição de investimentos em saúde pública, desemprego e fome, faz parte do cenário construído para dizimar o vulnerável.

Somos herdeiros de uma política global capitalista, e de uma zona de interesses que trata a América Latina como celeiro de golpes, se utilizando da participação política do próprio povo e conivência das instituições ditas republicanas, cada qual na barganha do que lhe serve.

Por esse motivo, liberemos Deus dessa guerra, e acolhamos a necessidade de amadurecimento político humanitário como chave para movimentar o cenário de transformações.

Nosso país pulsa um estranho luto, onde a dor banalizada pede expressões e cada vez mais estamos acossados pelas lutas de sobrevivência, que tentam nos incapacitar para a resistência.

O que fazer com a dor?

Sentir! Expressar seu estrago em nossas vidas! Dizer o quanto é real esse grosso choro que nos molha os dias!

Espírita sente luto? Chora por seus mortos? Lamenta a partida dos seus amados?

Sim! Da mesma maneira que participa dessa página triste da história política do globo, e do próprio país.

Espírita chora por seus mortos da mesma maneira que qualquer outra pessoa, e se existe um ponto de consolação mais consistente é a certeza de que a vida espiritual segue triunfante, acolhendo nossos amados como a nós mesmos acolherá no momento do retorno que nos será próprio.

Derrubemos as barreiras que têm servido estruturalmente às construções de um povo apático ao real por ser espírita, ou gente que acredita em privilégios por já ser “melhor” que os outros.

Chore sua dor e sua saudade com abundância de verdade, porque não são os discursos, mas os sentimentos que nos clareiam as percepções sobre a vida e suas voltas interplanetárias.

Nossos amores incluídos nas estatísticas do genocídio não estavam necessariamente marcados para entrarem nelas, assim como quem ainda não entrou segue isento de garantias. Deus não criou os flagelos, mas o capitalismos tem fomentado inúmeros, em estufas políticas e econômicas de alto teor tecnológico.

Os infernos míticos precisam afundar com a ignorância, para que percebamos o poder de céu que nossas escolhas e lutas coletivas possuem, aqui na Terra.

Amadurecer é o caminho, e ao passarmos pelas curvas perigosas e adentrarmos nas jornadas históricas íngremes, lembremos que Deus é o Criador das inteligências que nos confiou, para que desenvolvendo os talentos multipliquemos os cuidados com a vida, e desfrutemos dos frutos com merecimento e justiça.

Sejamos fortes, que essa tempestade de areia também vai passar, e outros fenômenos surgirão, nos ajudando a entender os elementos que compõem esta viagem coletiva.

Sofra, chore e se liberte das determinações do poder dominante.

Ame e se resgate, para alcançar os altiplanos desde o chão, onde a vida todos os dias renasce e se oferece em amor e consolação.

Aqui o aprendizado pode se dá em comunhão.

Ser espírita é apenas mais uma forma de ser espírito encarnado.

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2 respostas

  1. Estamos neste barco por opção nossa e a escolha de como será está travessia é unicamente nossa. Deus deu os instrumentos , a forma de usá- los e por nossa conta.

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