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O feminicídio de Leila Arruda fere o jardim

Neste caminhar pelos rumos da escrita, vou semeando a notícia e a causa de luta – assim como em casa eu planto as flores e as contemplo despetalando.

A diferença entre os processos naturais e os sociais, é  que aquele primeiro segue uma lógica cíclica não violenta.

O segundo despetala vidas à força, de maneira prematura, com requintes de crueldade que instigam o combate da prática nas almas sensíveis e conscientes de que viver é um direito universal.

Feminicídio é pauta, não é somente notícia!

Leila Arruda tinha 49 anos. A mesma idade que tenho. Deveria ter inúmeros projetos, desejos de contribuição para uma sociedade mais justa e fraterna, e havia sido candidata a prefeita em Curralinho, no arquipélago da ilha de Marajó, no Pará.

Infelizmente Leila engrossou estatística antiga na terra do patriarcado assassino quando resolveu ser livre, independente e lutar por causas coletivas.

Fundadora e militante do Movimento de Mulheres Empreendedoras da Amazônia (Moema), empregava suas energias para apoiar e fortalecer outras mulheres.

Uma pedagoga militante, uma mulher participativa e criativa; uma cidadã política! Foi morta a pauladas e facadas em um ambiente público, na frente da sua própria casa.

A família acusa o ex-marido inconformado e perseguidor. Separação ocorrida há 3 anos.

A sociedade segue patrocinando horrores evitáveis por comodismo, indiferença e reprodução do machismo violento. O Estado com suas práxis burocráticas não trará Leila Arruda de volta e o jardim ferido, violado, pisado pela truculência do macho criminoso chora ao vento.

Amanhã não será mais notícia.

Mas sempre será nossa causa lutar contra o feminicídio!

Por Leila e por todas nós.

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