O filme O Discurso do Rei (2010) caberia nas palavras do governador Teotonio Vilela Filho, nas entrevistas às TVs Gazeta e Pajuçara.
Como o rei Jorge VI, Vilela foi acometido, nas duas entrevistas, pela gagueira, a gesticulação confusa das mãos, as palavras ditas pela metade- picotadas pelo incompreensível, como os gráficos subindo e descendo, sobre os homicídios ou os números da aftosa. Entre os bois e os homens, apenas o fato de pisarem a mesma terra.
Nas duas cadeiras, Vilela anunciaria um plano de guerra- como ele mesmo chamou, ao se referir ao avanço da violência em Alagoas.
Utilizaria os microfones das duas maiores TVs , cinco dias após o assassinato do médico Alfredo Vasco. Atenta, a sociedade deveria ouvir o chefe de Estado e o tal plano para o conflito.
O momento era de expectativa. Gago, o rei Jorge VI lidou melhor com o “olho”- o microfone.
Pode ser apenas uma opinião. Mas, quem acompanhou as redes sociais após a entrevista percebeu que nenhum integrante do Governo manifestou solidariedade às palavras do estadista.
De todos os secretários a falar sobre a crise na segurança, apenas o de Defesa Social, Dário César (antes das entrevistas)- por obrigação que o cargo exige.
Nem os fãs do tucanato- agraciados por cargos comissionados- usaram o twitter ou o facebook, entusiásticos, a comemorar o sobe e desce dos gráficos inimagináveis ou os números da aftosa turbinados pela violência.
O rei inglês teve mais sorte: o apoio dos tutelados, antes a guerra contra os alemães (e a oratória de Hitler).
Em Alagoas, o Governo traz essa solidão em momentos de agonia. Até a próxima alegria- uma inauguração, talvez.








