Terça-feira, 2 de abril de 1991. Aquelas eram semanas do Plano Collor, o Jornal do Brasil anunciava que a inflação estava a 84,32%, a ministra da Economia Zélia Cardoso de Mello apertava a mão de Enrique Iglesias, do BID, anunciando o plano econômico brasileiro.
Ex-governador de Alagoas, agora senador, Guilherme Palmeira subia na tribuna do Senado. Queria discursar sobre a situação política e econômica do país, mas inverteu a pauta: dias antes, encaminhou um ofício ao presidente da República Fernando Collor sobre a situação do polo cloroalcoolquímico local, incluindo a Salgema (hoje Braskem).
A crise econômica e social no país congelava as potencialidades do polo e da Salgema, impedindo ambos de alcançar, como disse, “plenamente as dimensões para as quais foram planejados”.
“E isso será um desastre ao meu estado”, emendou Palmeira.
Ela era governador quando a Salgema e outras indústrias ligadas à cadeia do plástico eram implantadas e expandiam suas atividades. Como sói acontecer, todo este enredo tinha um pano de fundo para justificar a preocupação que deveria ser de todos: Alagoas se livraria das piores colocações nacionais tanto nos índices sociais quanto econômicos. E deixava de depender exclusivamente da cana de açúcar, mas a Salgema mais o polo tinham de expandir ainda mais a produção e suas atividades.
“Não vejo outra saída ao Brasil, senão a saída pelo desenvolvimento: indústrias funcionando, pleno emprego, salário retributivo, mercado se ampliando, riqueza sendo produzida e: ço-participada por toda a população”, dizia Palmeira.
Era um gancho para que os senadores pudessem ajudar na onda da exploração máxima do sal-gema, em minas terrestres em Maceió.
Marco Maciel, de Pernambuco (futuro vice-presidente da República no período FHC), fez eco ao senador alagoano
“O ideal é que esse polo continue a expandir-se; aliás, V. Exa situa muito bem no seu discurso que esse polo tem condições de crescer, e crescer muito, inclusive com o aparecimento das novas plantas industriais, o que demonstra a sua vitalidade econômica”, disse Maciel.
Palmeira emendava:
No bojo dessa preocupação maior com a sorte do País, preocupa-me, também, o Pólo cloroalcoolquimico de Alagoas. Pode ele, apesar de sua alta significação à economia regional, ser mortalmente atingido por um congelamento de suas potencialidades, impendindo-o de alcançar plenamente as dimensões para as quais foi planejado
O baiano Ruy Bacelar ajudava a levantar o discurso desenvolvimentista de Guilherme Palmeira.
Mais de 30 anos depois, a expansão da capacidade produção do sal-gema- principalmente impulsionada pelo Senado Federal- destruiu um pedaço de Maceió, deixando vazios no subsolo da cidade, 5 bairros evacuados e uma mina colapsada, afundando dentro da lagoa Mundaú.




