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O corpo sem alma, espectro feminino alagoano.

As representações nacionais, nem sempre coadunam com as necessidades e realidades locais, por essa razão, ao invés do corpo, é para a alma da mulher alagoana que olhamos hoje, nesta véspera do Dia Internacional da Mulher.

Essa senhora avó, esmagada pela força da enfermidade física conjugada à indiferença e escassez de atendimento nos postos de saúde, a peregrinar de um lado a outro, sem vez e voz, embargada em sua cidadania pelos fanfarrões da política e seus apadrinhados maus gestores de saúde pública.

Essa mãe provedora de lar, humilhada quando busca por matrícula escolar para os filhos, apontada por receber bolsa-família, minimizada em sua cidadania com extremos de carências aguçados pelo desrespeito cotidiano das mentalidades grosseiras, onde o macho não sincroniza amor e desvelo, como ela costuma fazer.

Essa filha de lar excluído, onde a falta de sonhos alimenta a solidão coletiva, dentro de míseros espaços, onde a família acabrunhada finge não perceber suas saídas para expor o corpo enquanto mutila a alma.

Sim, esse é o quadro que revela os espectros de infortúnio que ronda nossos corpos a sufocar as nossas almas!

Alagoanas que choram a cada dia as mortes estúpidas, cada vez mais espantosas dos seus amores: netos, filhos, irmãos, namorados, amantes, amigos…

Chão banhado de lágrimas femininas em desencanto profundo! Sem solução, Alagoas soluça!

Morremos mais a cada instante, mesmo quando o corpo ainda vive, a alma encabulada de impotência deserta para as depressões em paisagens distantes, nas quais os psiquísmos femininos perdem fôlego.

Sem reconhecer essa luta cortada de sofrimentos e desditas, qualquer celebração do 08 de março em Alagoas estará incompleta.

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