BLOG

O CNE nos representa?

Nossa sociedade separa as realidades, nossas relações são definidas segundo a inspiração de quem domina. Assim podemos dizer que temos muitas definições da mesma coisa. Isso também acontece com a educação.

Até a próxima quinta-feira, estará de maneira itinerante em nossa capital o Conselho Nacional de Educação. Cada representante da esfera nacional, por certo entende muito do tema que discute. Contudo, nos rincões mais esquecidos do Brasil, alguns personagens lidam diariamente com o fazer educativo, sob os malabarismos pedagógicos das salas multisseriadas. Quem os representa?

Para representar o educador e a educação a disputa tem sido grande. O prestígio de falar por milhões pode até levar alguns a esquecer a importância destes trabalhadores, decanos da prática educativa, tantas vezes já esquecida pelos ilustres representantes.

A interferência da política partidária e a prática do lobby, – manejo útil na distribuição de cargos – tem relegado os verdadeiros educadores do Brasil ao espaço precário de servidor público ou ativista das escolas privadas, despossuído de identidade pedagógica, pois esta quem define são as cúpulas animadoras de eventos.

Há um gosto de maresia à beira-mar de Maceió, no hotel de luxo que serve de itinerário ao CNE e no auditório o tom de heresia a indignar pessoas sérias. A prática viciante do discurso a rubricar o status quo, e depois, a festividade.

Enquanto isso nossas escolas carecem vivificar o ensino, garantir mais tônus aos especialistas em sobreviver nos contextos adversos das periferias. Sabemos que os professores e professoras das nossas escolas teriam discursos mais legítimos, mas, estão cativos no ativismo de cada dia, sob a pressão das cúpulas especializadas em discursar sobre educação, em nome de todos.

Essa mania de conferir legitimidade a quem está de fora tem feito de nós reprodutores de déficits políticos e pedagógicos, com sequelas imprevisíveis, mas já sentidas no cotidiano das salas de aula.

SOBRE O AUTOR

..