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O bruxo que tirava música de tudo

Hermeto Pascoal é conhecido como “o bruxo” da música brasileira por sua abordagem singular e experimental na criação sonora. O apelido surgiu nos anos 1960, quando sua capacidade de extrair música de qualquer objeto — desde instrumentos convencionais até utensílios domésticos, brinquedos e elementos da natureza — passou a ser vista como algo quase mágico.

Autodidata, Hermeto desenvolveu desde a infância uma relação intuitiva com os sons. Crescido no campo, costumava fabricar pífanos com canos de mamona e tocar para os pássaros. Também explorava os sons da água, metais e outros materiais que encontrava no ambiente. Essa prática se manteve ao longo da carreira, com composições que envolvem borbulhas em lagoas, cantos em copos d’água e improvisações com objetos inusitados.

A alcunha de “bruxo” se consolidou à medida que sua música desafiava padrões e incorporava elementos imprevisíveis, misturando jazz, forró, música erudita e sons naturais. A liberdade criativa e a habilidade de transformar qualquer ambiente em palco contribuíram para que o termo fosse adotado por músicos, críticos e admiradores como uma forma de reconhecer sua originalidade e influência.

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