O Brasil da fila do osso

Coaracy Fonseca- é promotor de Justiça e ex-procurador-geral de Justiça

Estamos na antessala da campanha eleitoral de 2022. As denúncias, como sempre, pululam nos blogs e jornais, como símbolo do MMA político.

A devassa vem fazendo parte do embate eleitoral. Um território historicamente hostil, infelizmente, cujas regiões são dominadas por grupos fechados.

Há pouco espaço para novas candidaturas, viáveis. Projetos não são delineados, e sem projetos não há governo.

É o Brasil empurrado pela barriga, tocado para frente sem forma e sem compasso. Fotos da miséria, carência de empregos, ausência de saneamento básico, saúde deficiente e judicialização de quase tudo.

A nossa democracia anda na contramão do mesmo sistema dos países mais avançados. Nunca vi algo diferente, repete-se o mesmo script e se obtêm os mesmos resultados.

Mas há uma peculiaridade: um grupo pouco visível busca implementar no Brasil um liberalismo do século XVIII, laissez-faire laissez passer, de Adam Smith.

A mão invisível do mercado é uma panaceia para todos os males. Puro engodo, a mão (in)visível só funciona para a classe proprietária, que tem acesso a incentivos fiscais e créditos subsidiados.

Leia-se: aumento da dívida pública.

Banco não empresta dinheiro para quem não tem garantias para oferecer. Só o Senhor do Bonfim.

Darwinismo econômico. Era a época do homem formal, que não existia na realidade, da exploração do trabalho infantil nas tecelagens inglesas. Do Estado de Polícia, do Estado Guarda Noturno.

Da ausência de seguridade social, que teve em Otto Von Bismarck, um orador com muitas deficiências, o seu precursor, mas no modelo do seguro social, que garantia a aposentação por invalidez.

Tocqueville, ao visitar as colônias inglesas na América do Norte, proferiu a célebre frase: “eles precisam, apenas, não esquecer”.

Será que essa frase se aplica ao Brasil, da fila do osso? Tenho dúvidas, porque “temos excesso de professores”, mas pouca memória, e a pouca que temos está sendo levada pela praga invisível.

Por derradeiro, peço ao leitor que perdoe Sérgio Reis. Há homens que valem mais do que algumas de suas falhas, e este ao menos nos trouxe alegria.

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