Eis que nossos dedos estão vagos, dedilhando o teclado com parcimônia, porque compartilhamos a ambivalência do contexto, mas não desejamos perder a razoabilidade da análise política, nem as amizades mais caras. Mas teremos outra forma de exercer este papel sem correr o risco do mau gosto? A resposta é não.
Assim como a extrema perversidade nutre seus adeptos de crenças fundamentalistas, a esquerdo/fluida de DNA liberal também aposta nas catarses psicossociais de elevação cultural de suas bases, ambas eleitorais.
Os atos de 21 de setembro no Brasil expressaram vários gritos, fossem de choro ou de alegria, que ficaram presos nas gargantas, e a chamada PEC da bandidagem ajudou a vazar.
A louvável participação dos artistas remeteram a uma quimera de luta passada, trazendo alento ao presente, como apenas a arte é capaz de fazer.
Quem vestiu sua paixão, esperança, bom gosto político e se fez atitude, foi magistral!
Desde a chegada do fascismo contemporâneo ao poder que o Brasil carecia gozo coletivo. Mas isso não foi a revolução, não foi a mudança que precisamos, nem fez a remoção cirúrgica do avanço antidemocrático, porque as estruturas de poder não comungam com a luta popular.
Se o governo insiste em apoiar as propostas políticas de Hugo Motta na Paraíba e mantém cargos impactantes nas mãos de Arthur Lira em Alagoas, Lula está surfando na catarse, amealhando engajamento eleitoral, e jogando ao lado do inimigo.
Que necessário ter olhos de análise! Que dolorido poder enxergar!
Quando perceberemos que o governo Lula carece de pressão popular?
Até onde as lutas democráticas mais legítimas servirão como manejo coercitivo de benefício ao poder estruturado sobre o partidarismo?
As catarses psicossociais são imprescindíveis para a retomada das práticas cidadãs. Mas sem crítica ao governo, não bastam.





