Thiago Pinheiro é advogado e escritor
Aos olhos de todos, vestia-se elegantemente. Fazia uso do terno e da gravata, mesmo em pequenos encontros sociais. Tinha na estética seu ponto alto. Ao sair de casa, recordava as lições de seu pai: “Filho, o homem vale o que veste!”.
De fato, era bem recebido onde chegava. Fechava contratos em razão da aparência, circulava em bons ambientes e se sentia mais seguro assim. Nas audiências, porém, não tinha bom desempenho. Era tímido e não possuía o domínio do vernáculo. Por isso, balbuciava e não se expressava. Não gostava de ler, estudar não era um hábito e, por isso, faltava-lhe confiança na voz.
Certa vez, um colega advogado, de figurino exótico e aparência simples, deu-lhe uma aula de erudição e técnica, vencendo a causa sumariamente. Ele, bem-sucedido na aparência, restou em silêncio, atordoado e atônito com a rapidez de raciocínio do oponente.
Aos poucos, deixou de alimentar o guarda-roupa e trocou os ternos novos pelos livros usados. Aprendeu a se tornar advogado, manifestando-se com naturalidade e força. Adquiriu coragem, fez bons enfrentamentos judiciais, perdeu e ganhou com dignidade.
Ao final, reconectou-se com seu pai, a tal ponto de reformular aquele ensinamento e concluir por si mesmo: “Pai, o homem vale o que lê!”.
