Números e dúvidas sobre a recuperação americana

Como conta o jornal The New York Times, há uma expectativa de que os EUA consigam gerar pelo menos 200 mil empregos no segundo trimestre deste ano e, assim, seguir num ritmo de recuperação considerado razoável

José Antonio Lima-Época

Depois de registrar a criação de 243 mil e 227 mil empregos em janeiro e fevereiro, respectivamente, a economia dos Estados Unidos teve um desempenho decepcionante em março. A maior economia do mundo gerou apenas 121 mil empregos no mês passado, número abaixo da marca de 200 mil mensais considerado o mínimo “saudável” para os Estados Unidos. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Departamento do Trabalho americano, serviram para moderar o otimismo do dia anterior. Na quinta-feira, o mesmo ministério mostrou que o número de novos benefícios do seguro-desemprego em março foi de 357 mil, o menor desde abril de 2008, início da crise.

Como conta o jornal The New York Times, há uma expectativa de que os EUA consigam gerar pelo menos 200 mil empregos no segundo trimestre deste ano e, assim, seguir num ritmo de recuperação considerado razoável. Há, entretanto, alguns obstáculos para isso, como a péssima situação da economia da Europa, a alta dos preços da gasolina e fatores sazonais.

“[O resultado] é obviamente desapontador”, disse Cliff Waldman, economista senior do MAPI, uma aliança de empresas americanas. “Isso dá evidências consistentes de que parte da força dos dois meses anteriores foi provavelmente sazonal.” (…) Fatores sazonais podem começar a desaparecer e o dificultar o crescimento sustentável de empregos neste ano, disse Michael R. Englund, economista chefe da Action Economics. Os dados do primeiro trimestre foram impulsionados pelas taxas de montagem de veículos dos últimos meses de 2011 e janeiro, enquanto o tempo bom ajudou a construção civil e a demanda por mais produção das fábricas, disse Englund.

Com os novos números, a taxa de desemprego nos Estados Unidos caiu de 8,3% para 8,2%, número ainda considerado muito alto. Entre a população hispânica, o desemprego é mais alto, de 10,32%, e entre os negros chega a 14%.

A condição da economia dos Estados Unidos é um fator decisivo nas eleições presidenciais de novembro, quando o presidente Barack Obama deve enfrentar o republicano Mitt Romney (que ainda não está confirmado na disputa). O jornal The Washington Post traz um comentário do deputado Eric Cantor, líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, que mostra qual será a linha de atuação de seu partido. Para os republicanos, Obama simplesmente não conseguiu fazer a economia dos Estados Unidos voltar aos trilhos.

“O nível de crescimento que estamos vendo não é suficiente para fazer diferença para os milhões de americanos ainda sem emprego e para as famílias que enfrentam preços altos da gasolina e a incerteza de uma economia morosa”, disse Cantor. “O crescimento do emprego ocorre quando pequenos empresários e empresárias neste país têm a capacidade de arriscar, investir capital e começar a contratar empregados”.

Nas campanhas eleitorais americanas, ficou famosa a frase “É a economia, estúpido” para mostrar que, em meio aos muitos assuntos que são debatidos, desde discussões sociais até a política externa, o que importa para o eleitor é a condição da economia. Em 2012, aparentemente, nenhum dos dois candidatos precisará ser lembrado disso.

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