Número de assassinatos superlota cemitérios de Maceió

Pelo Anuário Brasileiro da Segurança Pública, Alagoas foi o estado que mais registrou aumento na quantidade de assassinatos entre 2009 e 2010: 42,8%- passando de 1.506 para 2.127

Líder nacional em homicídios e com a terceira cidade mais violenta do mundo- Maceió- a Prefeitura da capital alagoana anunciou, esta semana, a construção do quarto cemitério, por causa da superlotação dos outros três e da quantidade de assassinatos registrados. No final de semana, a região metropolitana contabiliza, em média, 15 mortes, 90% delas por armas de fogo e 90% destes crimes ligados ao tráfico de drogas- segundo dados da Secretaria de Defesa Social.

Pelo Anuário Brasileiro da Segurança Pública, Alagoas foi o estado que mais registrou aumento na quantidade de assassinatos entre 2009 e 2010: 42,8%- passando de 1.506 para 2.127.

“É importante ressaltar que a superlotação é um problema antigo, mas que foi agravado ao longo dos últimos anos, com o crescimento da violência no estado. A maior parte das pessoas assassinadas faz parte de famílias carentes, que dependem, em sua maioria, de cemitérios públicos. Não é uma crítica ao governo do Estado, mas uma triste e infeliz constatação. A violência é algo visível”, disse o secretário de Planejamento, Márzio Delmoni. O anúncio foi feito na abertura do ano legislativo, na Câmara de Vereadores de Maceió, na quarta-feira.

O novo ossário, como é chamado, será vertical- para caber mais corpos e diminuir o impacto ambiental- e deve ficar pronto no primeiro semestre deste ano.

Maceió não tem crematórios- que poderiam ser uma alternativa.

Logo após o anúncio da construção de mais um cemitério, pela Prefeitura, a Câmara de Vereadores de Maceió decidiu abrir uma Comissão Especial de Inquérito para investigar a violência na capital.

Nesta sexta-feira, o jovem Wellington Gonçalves de Lima, de 21 anos, foi morto com 14 tiros, em um bar, no bairro do Tabuleiro dos Martins- parte alta de Maceió. Eles entraram no estabelecimento, perguntaram quem era o rapaz e, em seguida, fizeram os disparos.

Na cidade de Rio Largo, a 20 quilômetros de Maceió, José Walisson da Silva, de 16 anos, foi executado com seis tiros na cabeça, também nesta sexta-feira.

Na quinta-feira, um homem conhecido como José Sandro foi executado a tiros dentro da casa- hoje museu- do escritor alagoano Graciliano Ramos, um dos principais nomes do Modernismo Brasileiro, autor de Vidas Secas. O crime aconteceu na cidade de Palmeira dos Índios, agreste do Estado.

A polícia não tem pistas sobre os três crimes.

A violência alagoana não poupou nem o filho do vice-presidente da Assembleia Legislativa, deputado Antônio Albuquerque (PT do B)- o estudante de Direito, Nivaldo Albuquerque. Há três semanas, ele foi atingido por quatro tiros, no curral da fazenda do pai, na cidade de Limoeiro de Anadia. A polícia diz que os quatro bandidos- ainda soltos- tentaram roubar uma Hilux, do pai de Nivaldo.

Ele está internado, na UTI, sem risco de morte e sem data para alta.

Na terça-feira, o sargento reformado da Polícia Militar, Jorge Carlos Pereira Rodrigues, foi morto na porta de um banco, após sacar R$ 7.500. Os criminosos não levaram o dinheiro. O crime aconteceu a 50 metros do Batalhão do Exército, em Maceió. A polícia trata o caso como execução.

Em março, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, estará em Alagoas pela segunda vez, em um ano. Vai anunciar mais um plano de segurança-o quarto, no mesmo período. Técnicos dos ministérios da Justiça, Desenvolvimento Social e Saúde estão em Alagoas desde o começo do ano, para propor soluções no combate ao avanço da criminalidade.

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