Líder do PP na Câmara, o deputado federal Arthur Lira responde a mais uma investigação- após ser acusado de agressão, desacato e indiciado nas investigações da Operação Taturana.
Arthur, agora, é investigado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Segundo as investigações, que estão no gabinete do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), o servidor da Câmara dos Deputados, Jaymerson José Gomes de Amorim, tentou embarcar, no aeroporto de Congonhas (São Paulo), com destino a Brasília, levando uma quantia em dinheiro considerada suspeita. As passagens foram pagas pelo deputado federal. O caso foi em fevereiro do ano passado.
A quantia em dinheiro apreendida pela Polícia Federal contra o deputado federal não é citada. Mas, o caso movimentou o procurador-Geral da República, Roberto Gurgel. Ele pediu a quebra do sigilo telefônico dos dois telefones do servidor da Câmara.
O caso deveria ser apreciado pela 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Em julho do ano passado, foi remetido ao STF para que fosse desmembrado. Arthur Lira tem foro por prerrogativa de função- o foro privilegiado.
Arthur Lira será ouvido via STF, enquanto Jaymerson pela 2ª Vara Criminal Federal paulista.
Chama a atenção que Jaymerson é uma pessoa conhecida em Alagoas. Foi secretário de Administração em Marechal Deodoro no governo Cristiano Matheus.
Depois, em maio de 2010, foi nomeado para o cargo de assistente parlamentar do Senado Federal. Era lotado na liderança do PMDB. Foi exonerado em fevereiro de 2011.
Temperamento explosivo
De temperamento considerado explosivo, Arthur só se tornou líder do PP na Câmara pela influência do pai, o senador Benedito de Lira (PP). E só se elegeu à Câmara porque o pai levou a campanha dele nas ruas.
Antes de se aposentar, o próprio desembargador do Tribunal de Justiça, Orlando Manso, ao saber do estilo Arthur Lira, designou, em 9 de abril de 2008, que cinco policiais acompanhassem um oficial de Justiça do tribunal porque o deputado se mostrava uma ameaça ao integrante do Judiciário. O oficial tentava entregar outra ação contra Arthur: a de agressão contra a ex-mulher, Jullyne Cristine Santos Lins.
Em 3 de janeiro de 2008, Manso decidiu que Arthur ficaria proibido de manter contato pessoal, telefônico e até mesmo por escrito contra a ex-mulher, seus familiares e s testemunhas do processo de agressão.
Em setembro de 2009, ele desacatou outro oficial- no mesmo processo da ex-mulher. “Recebo já esta merda”, disse ao oficial.
E, para completar, Arthur Lira foi condenado em setembro do ano passado no esquema da Taturana. Segundo decisão da Justiça, ele integrava a Mesa Diretora da Assembleia e assinou os cheques, dados em garantia, para quitação dos empréstimos. Usou recursos públicos para pagar estes empréstimos e verba de gabinete para aumentar o rendimento e maquiar a imoralidade pública.
Arthur conseguiu desviar, dos cofres públicos- via Assembleia- R$ 9,5 milhões (exatos R$ 9.542.939,71).
Por deter o foro por prerrogativa de função, Arthur Lira só pode ser julgado pelo STF. A menos que perca a eleição no próximo ano, quando seria considerado um cidadão comum.