O novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César, inicia sua gestão com a missão de otimizar a estrutura da pasta e destravar projetos considerados vitais pelo Palácio do Planalto. Após o governo abandonar a ideia de desmembrar o ministério em duas secretarias distintas, o foco agora se volta para a eficiência administrativa e para o poder de interlocução do novo titular com o Legislativo.
Wellington, que conta com a confiança do corpo técnico e é elogiado por sua articulação, deve realizar reuniões decisivas com a equipe de transição nos próximos dias. A expectativa é que os secretários da gestão de Ricardo Lewandowski deixem seus cargos logo após esse período, marcando o início de uma nova fase institucional.
Os testes de fogo: PEC da Segurança e PL Antifacção
Um dos maiores desafios de Wellington César será garantir que a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção não percam força. Enquanto a ala política do governo chegou a ventilar que a PEC estaria “no telhado”, a área técnica insiste que a proposta deve avançar, buscando recuperar a essência do texto original.
Contudo, o novo ministro encontrará resistência na Câmara. O relator da proposta, deputado Mendonça Filho (União-PE), sinaliza discordância quanto ao retorno ao texto original, defendendo que seu substitutivo é superior e já contempla pontos defendidos pelo governo. A previsão é de que a matéria possa ir a voto até março deste ano.
Parlamentares avaliam que Lewandowski tinha um perfil acadêmico e pouca inclinação para a “linha de frente” do combate ao crime. A troca por Wellington é vista como uma tentativa de dar mais agressividade política e operacional à pasta.
A nomeação de Wellington César não ocorreu sem ruídos internos. A escolha foi uma vitória expressiva da ala baiana do governo, apadrinhada pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, e pelo líder no Senado, Jaques Wagner. Wellington possui um histórico consolidado com o grupo: foi nomeado procurador na Bahia durante o governo Wagner e atuou na Secretaria de Assuntos Jurídicos (SAJ) até 2025.
Essa hegemonia baiana, no entanto, gerou insatisfação em outros setores:
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PT Nacional: Uma ala do partido se sente preterida e aponta tensões pela falta de espaço na cúpula da justiça.
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PSB: O partido de Geraldo Alckmin tentou, sem sucesso, emplacar Márcio Elias Rosa (número 2 do MDIC). A sigla busca recuperar a influência que tinha na pasta na época de Flávio Dino.
Com a equipe de Lewandowski defendendo a continuidade das políticas atuais, Wellington César precisará equilibrar as expectativas técnicas com a pressão por resultados imediatos na segurança pública, tema que deve dominar a agenda política do primeiro semestre de 2026.
*Com Agências








