O desafio de superar o luto de alguém vítima da violência urbana

O dia 2 de novembro é uma data reservada no calendário dos religiosos para fazer orações por aqueles que já finaram. Ou seja, um…

O dia 2 de novembro é uma data reservada no calendário dos religiosos para fazer orações por aqueles que já finaram. Ou seja, um momento especial para prestar homenagens a parentes e entes queridos que já faleceram. Este é o significado do Dia de Finados, que no Brasil é feriado nacional. O costume católico reserva ainda ações como visitar e levar flores ao túmulo e acender velas, um ritual repleto de fortes emoções.

Quando a perda do ente querido ou familiar vem vinculada a uma situação violenta, a dificuldade de superação deste luto é ainda maior. Isto porque, as consequências emocionais ou psicológicas podem recair sobre familiares e amigos destas vítimas da violência.

“Revolta e indignação são sentimentos comuns compartilhados entre parentes de vítimas que perderam suas vidas precocemente, sentimentos de impotência, desejo de vingança, sem contar o processo de luto vivenciado, que é muito mais sofrido pela perda traumática do ente querido”, explica Anna Lívia Soares, psicóloga do Hapvida Saúde.

De acordo com a profissional da saúde “a superação do luto pela morte de um parente vítima da violência urbana é um grande desafio para a maioria das pessoas. O primeiro passo é enfrentar a dor, não adianta negar, é preciso elaborar o luto e permitir que as emoções aflorem”.

“Falar sobre o assunto, na família, com amigos próximos, ou mesmo com um profissional dilui a angústia, as preocupações, a dor. Falar da saudade é natural e saudável, porém é apenas o começo. E, em muitos casos, é importante observar que se não houver a elaboração do luto, esse quadro de tristeza profunda pode vir a evoluir para um processo depressivo, sendo importante o suporte psicológico”, complementa Anna.

Quanto ao sentimento de revolta, indignação ou vingança em relação ao autor do crime e como lidar com isso, a psicóloga do Hapvida Saúde dá uma dica quanto ao comportamento que deve ser adotado: “Permitir que esse sentimento se expresse, deixar a pessoa livre para vivenciar seu luto. Lembrando que cada pessoa tem sua forma própria de sofrer e de lidar com o processo vivenciado”.

Questionada sobre como a psicologia avalia reações da vítima ao tentar fugir ou agredir o bandido em situações de assalto, ela esclarece que “são reações inesperadas, atitudes reativas por impulso. A pessoa age sem se dar conta do que está realmente fazendo”, destaca.

Anna Lívia explica, ainda sobre o caso de vítimas de assalto que sobreviveram à ação criminosa, os efeitos emocionais e psicológicos que a ação violenta provoca e como ela pode lidar com o trauma que acaba fazendo parte do dia a dia de quem sofreu este tipo de crime.

“Pode acontecer a negação da vítima, lidar com a situação como se nada tivesse acontecido, como pode também ter uma reação de estresse pós-traumático, que é reviver os acontecimentos traumáticos vivenciados na mente, ou seja, a dificuldade em se recuperar após vivenciar ou testemunhar um acontecimento assustador”.

Para a psicóloga, um dos fatores importantes para os familiares é a necessidade de ficar atento. “Fica o alerta, pois o trauma pode evoluir para outros transtornos psicológicos como ansiedade acompanhada de insônia, síndrome do pânico, quadro depressivo. Buscar tratamento psicológico é fundamental, principalmente se o medo se tornar doentio, provocar fobia social e o abandono de atividades do cotidiano”, finaliza a psicóloga do Hapvida Saúde.

Fonte: Assessoria

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