A Bahia registrou o maior índice de mortes por lesões autoprovocadas na Região Nordeste, segundo dados alarmantes de uma pesquisa divulgada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) nesta segunda-feira (22).
Entre 2023 e 2024, 143 crianças, adolescentes e jovens com idades entre 10 e 19 anos perderam a vida no estado devido a essas lesões, superando significativamente os demais estados nordestinos.
Os dados, compilados a partir do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, mostram que, no total, a região Nordeste contabilizou 616 óbitos provocados por autolesões nesse período.
A Bahia, com seus 143 casos, lidera o ranking regional, seguida por Pernambuco (88) e Ceará (110).
Em comparação, Alagoas aparece entre os estados com menores números, registrando 38 óbitos por autolesão entre 2023 e 2024, quase quatro vezes menos que a Bahia.
A SBP alerta que, no Brasil, a cada dez minutos, um adolescente comete algum tipo de autolesão ou tenta tirar a própria vida. Os registros são feitos por profissionais de saúde que atendem esses adolescentes e seguem um protocolo de notificação obrigatório.
Embora nem todo ato de autolesão signifique uma intenção suicida imediata, a ausência de diagnóstico e acompanhamento psicológico pode, futuramente, levar a um quadro mais grave.
A nível nacional, o Sudeste lidera em números absolutos de notificações de autolesões, com quase 47 mil casos, com São Paulo sendo o estado com mais registros (24.937). O Nordeste ocupa a terceira posição nacional, com 19.022 casos registrados.
Óbitos por Lesões Autoprovocadas no Nordeste (2023-2024)
| Estado | Número de Casos (10 a 19 anos) |
| Bahia | 143 |
| Ceará | 110 |
| Pernambuco | 88 |
| Maranhão | 72 |
| Rio Grande do Norte | 46 |
| Piauí | 46 |
| Paraíba | 44 |
| Alagoas | 38 |
| Sergipe | 29 |
| Total Nordeste | 616 |
O estudo reforça a necessidade de as famílias estarem atentas a sinais como: o uso constante de casacos mesmo em climas quentes; marcas de arranhões ou queimaduras no corpo; e mudanças abruptas de comportamento.
Especialistas alertam que a autolesão não deve ser vista como uma “forma de chamar atenção”, mas sim como uma estratégia compensatória do adolescente para lidar com conflitos internos intensos.
A recomendação é estabelecer uma comunicação acolhedora, validando os sentimentos do jovem e demonstrando preocupação, sem abordagens punitivas ou invasivas.
O tratamento deve ser conduzido por profissionais, com a busca por um psicólogo e um psiquiatra para o devido acompanhamento terapêutico.
*Com Agências








