Nonô e Biu de Lira pressionam Vilela para vaga de governador em 2014

Fim de carnaval, início da Quaresma e o clima político em Alagoas é cada vez mais mundano. As articulações começaram mesmo faltando mais um ano para as eleições e o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) resolveu centrar fogo em uma aposta alta: eleger o vice-governador José Thomáz Nonô (DEM) ao Palácio República dos Palmares.

A eleição de Nonô é uma faca de dois gumes: apesar de ser ficha limpa, perdeu em 2000 as eleições à chefia do Executivo em Maceió. Carrega outra derrota: a eleição ao Senado em 2006.

Mas, o passado definitivamente parece estar enterrado. E o vice acelera o passo e pressiona Vilela no programa de reconstrução- coordenado por ele- das casas destruídas pelas cheias de 2010. O programa está lerdo em Alagoas. Mas, o governador promete- pelo menos foi o que disse na Assembleia Legislativa na abertura dos trabalhos- que vai entregar as 17 mil casas prometidas há dois anos até outubro. Exatamente um ano antes das eleições.

Tudo para ajudar Nonô: apenas sete mil casas foram entregues pelo programa.

No dia 15, o vice estava em nova ação estratégica de engorda do próprio nome, desta vez sozinho: a entrega de 180 toneladas de farelo para alimentação animal no sertão

“O Governo está atendendo prioritariamente aos agricultores familiares, e com isso estamos dando uma cobertura muito grande aos que estão sofrendo com os efeitos da seca”, disse Nonô. O objetivo é muito maior: ser um nome eleitoralmente viável em meio ao cenário da seca, que atinge 38 cidades de Alagoas, mais de um milhão de habitantes. Um celeiro farto em votos.

Nonô corre por fora porque o senador Benedito de Lira (PP) também está de olho no Executivo. Mas, o senador parece ter um projeto mais ousado: rifar o filho, o deputado federal e líder do PP na Câmara, Arthur Lira, ao Governo. De temperamento violento, Arthur- de longe- não teria condições de ser o favorito. Mas, Biu de Lira quer mostrar os dentes ao governador.

Dentes que mostra nas inserções do PP na televisão. Pede mais investimentos em áreas sociais do Estado. Uma delas é a Educação, hoje comandada por um indicado dele, o advogado Adriano Soares. Há duas semanas, criticou Soares cobrando escolas em tempo integral.

Por enquanto, Vilela não diz nem sim sim, nem não não a Nonô e Biu de Lira. Para beneficiar ele mesmo, transferiu a sede do Governo para Santana do Ipanema.

“Será uma oportunidade para mostrar o que o Governo de Alagoas e as principais instituições privadas podem oferecer para o desenvolvimento socioeconômico da população do Sertão. Sabemos das dificuldades existentes, mas podemos oferecer soluções capazes de sanar os principais problemas”, diz o secretário de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico, Luiz Otavio Gomes- ao justificar a transferência do Governo ao interior alagoano.

Collor

Enquanto isso, o senador Fernando Collor (PTB) tenta ganhar vantagem. Usa o desespero e a estratégia. O desespero veio ao acusar a secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki, de manter um relacionamento amoroso com uma autoridade ao Governo alagoano, um recado ao secretário de Defesa Social, coronel Dário César.

O lado estrategista de Collor é apostar também no sertão. Em encontro com prefeitos, capitaneado pela prefeita de Arapiraca, Célia Rocha (PTB), anunciou que vai comprar uma casa na cidade. Quer acompanhar de perto os votos dos prefeitos, tratar pessoalmente das articulações politicas e fazer coro à reclamação geral dos gestores públicos, que querem mais dinheiro para ações contra a seca alagoana.

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