O Brasil é gigante.
Cinco milhões de pessoas passam fome. Quase dois milhões de crianças e jovens executam o trabalho infantil numa realidade que Bolsonaro avacalha.
Um cidadão foi denunciado ao Ministério Público. Quando ele ocupava um cargo numa prefeitura ele roubou tanto dinheiro que comprou muitas cabeças de gado para a fazenda do pai dele, além de um apartamento à beira mar e até ganhou passagens para Cancún, um dos paraísos no Caribe, de uma locadora de veículos porque facilitou uma licitação para a empresa.
As investigações não foram adiante porque ele tem parentes no Ministério Público.
Esse é o Brasil profundo e casos assim, infelizmente, não são exceção.
No Tocantins, os procuradores do Ministério Público aprovaram para eles mesmos 3 meses de licença-prêmio a cada 5 anos trabalhados. E eles têm direito a férias e param de trabalhar nos recessos.
Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, é procurador da República.
Diálogos publicados pelo The Intercept mostram que ele e o então juiz Sergio Moro combinaram versões na Lava Jato que prejudicavam a defesa do ex-presidente Lula. Ele afirma ter sido vítima de um hacker. E se recusa a entregar o celular funcional para pericia. Convidado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara a explicar a troca de mensagens com Sérgio Moro, Dallagnol disse não.
Imagine se fosse você ou eu recusarmos um convite desse tipo.
Hoje, o plenário da Câmara deve decidir o futuro da reforma da Previdência de Bolsonaro. A reforma evitará mexer nos históricos privilégios no Brasil.
E o abismo da desigualdade, a fome e o trabalho infantil continuarão a fazer parte da nossa história.
São retratos de um país que os nossos olhos se recusam a enxergar.
É o extermínio de uma civilização sem dia para acabar.
Odilon Rios do portal Repórter Nordeste para o jornal da Correio





