O posto de primeira-dama do Brasil, cercado por protocolos de segurança, câmeras e agentes especializados, não foi suficiente para blindar Rosângela Lula da Silva, a Janja, de uma realidade que atinge milhões de brasileiras diariamente.
Em uma entrevista reveladora ao programa Sem Censura, da TV Brasil, nesta terça-feira (3), ela confessou ter sido vítima de assédio em duas ocasiões diferentes desde que assumiu o papel no Palácio do Planalto.
O relato, carregado de indignação, serviu como um alerta sobre o que Janja descreveu como uma situação “insuportável” para as mulheres no país, independentemente da posição hierárquica que ocupem na sociedade.
Para a primeira-dama, o fato de ter sofrido essas investidas mesmo estando em ambientes que considerava seguros e vigiados é o termômetro do desamparo feminino.
Em sua fala, ela traçou um paralelo doloroso com a rotina da mulher comum, questionando como alguém que espera um ônibus tarde da noite pode se sentir protegida se nem mesmo quem possui uma equipe de segurança estatal está imune a abusos.
Janja também buscou solidariedade internacional ao citar o caso recente da presidente do México, Claudia Sheinbaum, que foi agarrada e alvo de uma tentativa de beijo forçado por um desconhecido enquanto caminhava pelo centro histórico da capital mexicana, reforçando que a vulnerabilidade feminina ignora fronteiras e cargos de poder.
A solução para esse cenário, na visão de Janja, exige uma convergência de esforços que hoje parecem caminhar em direções opostas.
Ela defende que não basta focar apenas em educação ou apenas em segurança pública, mas sim unir a reforma da legislação penal ao trabalho de conscientização feito dentro de casa.
A primeira-dama foi enfática ao cobrar um endurecimento real nas punições, criticando a facilidade com que agressores entram e saem de delegacias após cometerem crimes graves.
Para ela, o debate sobre violência doméstica e feminicídio precisa ser encarado de frente pelos homens, a quem atribuiu a responsabilidade direta pelas estatísticas de morte de mulheres no Brasil.







