NÃO sede passivos

Foto: PixaBay

Passividade.


Fico imaginando um Jesus acomodado e contemplativo. Ao invés de sair, pelas cercanias de Jerusalém, na busca de seu “exército”, tivesse ficado na carpintaria de seu pai. E, depois, limitado a ouvir as pregações do templo e o comércio da fé em confusão, ao derredor e em seu interior. Resolveu pescar homens e exemplificar o amor para a Humanidade.


Um Giovani Bernardoni (Francesco de Assisi) vivendo entre o ócio e a opulência, seguindo os desejos de seu pai, no cuidado com a fortuna amealhada, sem olhar para a circunvizinhança onde padeciam de fome os abandonados da sorte, gozando a vida material em abundância. Com ele e depois dele, as igrejas se voltaram para ouvir o povo.


Ou Martin Luther (Lutero) limitado às cátedras de teologia, repetindo as máximas cristãs e vendo, sem reação, uma igreja enriquecer à custa da miséria do povo, na venda de indulgências e confortos no pós-morte, olvidando a bem-aventurança do “tiveram fome e foram saciados”. A reforma e a contrarreforma possibilitaram um reencontro com a mensagem do Nazareno.


Talvez Mohandas Karamchand (Gandhi) exercendo exclusivamente, embora com brilhantismo, a advocacia com formação britânica, em favor dos grandes mercadores hindus, enquanto os párias permaneciam sendo subumanos e explorados, inclusive por seus patrícios, além dos colonialistas. A resistência pela não-violência foi e é um caminho possível.


Um Helder Câmara, arcebispo de sólida formação e exuberante conhecimento das Escrituras, circunscrito às vestes sacerdotais e à atuação interna corporis. Decidiu, pois, minimizar a fome dos pobres e, por isso, foi tido como santo. Mas, execrado pelos mesmos que o aplaudiam, quando perguntava: – por que são miseráveis? Eis a filosofia que impele as lutas pelos direitos sociais.



E, finalmente, um Julio Lancellotti, contemporaneamente, seguindo cada um dos personagens históricos citados, inspirado em Freire, para ser pedagogo dos oprimidos e da autonomia, rompendo os campos de concentração de nossos negros tempos, num Brasil que perdeu o rumo, a fraternidade e a decência!



Pacíficos somos e seremos, ainda que em luta! Passivos? Jamais! E os que têm fome e sede de justiça haverão de ser saciados…

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