Não ganhei ainda, mas vou ganhar”, dispara Lula sobre disputa de 2026

Brasília (DF), 02/02/2026 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em um movimento que sinaliza a antecipação oficial do tabuleiro eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou um jantar com deputados na Granja do Torto, nesta quarta-feira (4), para traçar o perfil de seus possíveis oponentes em outubro.

Segundo apuração da jornalista Tainá Falcão, da CNN Brasil, o petista citou nominalmente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como um provável presidenciável, mas chamou a atenção ao ignorar completamente o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como o herdeiro direto do espólio bolsonarista.

Aos parlamentares, Lula demonstrou otimismo, afirmando que “não ganhou ainda, mas vai ganhar”. Além de Tarcísio, que publicamente insiste na reeleição estadual, o presidente listou os governadores Ratinho Júnior (PR), Romeu Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO) como nomes no radar.

A estratégia desenhada pelo Planalto é clara: Lula pretende transformar a campanha em um grande comparativo de resultados, confrontando os números de sua gestão federal com o desempenho das administrações estaduais desses governadores.

O silêncio sobre Flávio Bolsonaro, no entanto, ocorre em um momento em que o senador apresenta crescimento expressivo nas pesquisas.

Dados recentes do instituto Meio/Ideia mostram um empate técnico em um eventual segundo turno, com Lula somando 45,8% contra 41,1% do filho “01” do ex-presidente.

Outro levantamento, do Paraná Pesquisas, confirma o cenário acirrado (44,8% a 42,2%).

Ao ignorar Flávio e focar nos governadores, Lula parece tentar escolher um adversário com perfil mais administrativo e menos ideológico, fugindo da polarização direta com a família Bolsonaro.

O jantar também serviu para selar a paz com a Câmara. Lula fez elogios rasgados à condução de Hugo Motta (Republicanos-PB), buscando estabilidade parlamentar para aprovar pautas sensíveis antes do início oficial da corrida eleitoral.

Após o Carnaval, o presidente deve estender o diálogo ao Senado, com uma reunião já agendada com Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Nos bastidores, a leitura é que o governo entrou definitivamente no modo campanha, abandonando a discrição para tratar o debate sucessório de forma aberta e estratégica.

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