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Não é proibido gostar de frio

Temos observado em curioso gesto de análise o que tem sido feito com o poder atribuído à linguagem nestes universos virtuais de estopins emocionais acesos.

Pertencente a uma geração estruturalista que está sendo colocada à força na vanguarda, nossos estômagos precisam ser racionais também para não reagirem com estupidez aos desmandos da fala, que em seu estado gelatinoso nas redes sociais leva a opinião para onde quer.

No meio desse desmantelo que arregimenta cliks e likes e cancelamentos, as inimizades prosperam por qualquer vintém de contradição. Assim, não desejo para o meu jardim, essa colheita empobrecida de nutrientes espirituais que me afetaria também o estômago e a mente.

Introdução desenvolvida, chego ao ponto: não é você ou eu gostar de frio e exibir roupas quentes e cafés que faz alguém morrer de hipotermia!

O que faz estas mortes acontecerem são as políticas de miserabilidade humana presentes nas estruturas sociais brasileiras, acirradas, contudo, no governo de Bolsonaro.

Não são os casacos da ostentação em si, os responsáveis por todas as mortes de cunho miserável que ocorrem neste país, mas talvez o voto de quem ostenta consumo, entre outros votos; aí podemos ver vieses de discussão.

Não usarei do verbo para acirrar sentimentos se não acompanhar uma lógica precisa, pois o tempo de gerar mal estar nas redes sociais com aquilo que a outra pessoa fala, pede uma pausa. Precisamos combater algo maior e mais fremente, lutar contra a difusão cotidiana do bolsonarismo e gritar aos quatro ventos que a aproximação de Bolsonaro com Elon Musk é trevosa!

No mais, que não sejam as estações do ano e seus fenômenos a causa das fogueiras santas erguidas na internet, pois a liberdade de gostar é uma das últimas coisas que esse maldito sistema opressor ainda não conseguiu nos tirar de todo.

Exibir nas redes sociais? Quem nunca? Cada qual com o encanto que lhe toca!

Sensibilidade social e humanitária são outros quinhentos, que nós precisamos fomentar no nível da consciência com abordagem política e racional, não utilizando a linguagem para nos separar ainda mais.

 

 

 

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