Já teve curiosidade em saber a razão pela qual as mulheres de extrema direita são contra os direitos de “todas” as mulheres?
Sabendo que não existe acaso nem inocência na política partidária, a razão não se explica apenas por um panorama estrutural vasto, mas principalmente, localizando a confluência entre narrativas e votos que borbulham em seus celeiros eleitoreiros.
Como exemplos recentes, temos a história de duas deputadas do PL, o partido que gravita em torno do mundo misógino mas elege suas representantes femininas. Ou seja, eles e elas comungam os mesmos interesses de poder econômico imediato. Mandatos possibilitam enriquecimento no Brasil de hoje, como nunca antes. Principalmente após o parlamentarismo espectral deixado por Arthur Lira, com a gênese das emendas livres que desfalcam o país.
Chris Tonietto é deputada federal pelo PL do Rio de Janeiro. É autora do Projeto de Lei aprovado em junho de 2025, identificado como PDL -89/2023, que sugere a abolição integral do Protocolo para Julgamento com Perspectivas de Gênero, estabelecido pela Resolução 492/2023 do CNJ.
O protocolo estabelece diretrizes mínimas para a adoção de perspectivas de gênero nos julgamentos do Poder Judiciário, além de prever a obrigatoriedade de capacitação de magistrados e magistradas em direitos humanos, gênero, raça e etnia.
O parecer da relatora na CCJ foi favorável à derrubada do protocolo. Ela é a deputada federal Bia Kicis, eleita pelo PL do Distrito Federal.
Mulheres como as parlamentares acima citadas compõem um arsenal narrativo contra mulheres, baseado no combate ao feminismo, esquerdismo e outras denominações vinculadas ao espectro da esquerda.
Mesmo sendo o Brasil um país campeão em violências de gênero, que apesar disso, traz histórias que manifestam o quanto o judiciário carece de sensibilização para a efetivação da justiça, vejamos como exemplo o caso de estupro de Mariana Ferrer no estado de Santa Catarina, tais parlamentares se armam de linguagem técnica para dizimar um recurso mínimo que aborda a perspectiva necessária.
Como poderemos seguir silenciando sobre isso?
Nossas vozes de mulheres brasileiras precisam clamar ao eleitorado que acredita nestes perfis como representantes do povo.
A extrema direita não dialoga com a vida real dos brasileiros, mas apenas com os seus projetos de enriquecimento imediato e manutenção nas camadas decisórias, influindo por cima na vida de todos os que estamos abaixo do que legislam sem nós, sem os nossos interesses e necessidades.
Para renovar essa história precisamos aumentar o interesse por política, para saber como poderemos garantir o mínimo de respeito pelos corpos e pelas vidas das mulheres.
A pauta contra o feminicídio e violências de gênero em geral não pode ser silenciada!
