O clima nos bastidores militares subiu de temperatura após as declarações do senador e general da reserva Hamilton Mourão (Republicanos) sobre o futuro das patentes do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros quatro oficiais de alta patente.
Em entrevista à coluna de Paulo Cappelli, do portal Metrópoles, o ex-vice-presidente não poupou críticas ao processo que tramita no Superior Tribunal Militar (STM), classificando o momento como “extremamente desgastante” e fruto de uma reação em cadeia iniciada no Poder Judiciário.
Mourão sustenta que o julgamento, que pode retirar as honrarias e postos dos oficiais, ocorre “na esteira das injustiças ocorridas no processo conduzido ilegalmente pelo STF”.
Para o senador, a análise do STM sobre se houve ou não infração à “honra militar” atinge homens que dedicaram décadas de serviço ao Exército e à nação brasileira.
A declaração ecoa o descontentamento de uma ala da reserva que vê com ceticismo a velocidade e os métodos das investigações que miram a cúpula do governo anterior.
Além de Bolsonaro, que é capitão da reserva, o tribunal militar deve decidir o destino de figuras centrais da última gestão: os generais Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto, além do almirante Almir Garnier.
Todos foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado, o que gerou a determinação automática para que o STM avaliasse a indignidade para o oficialato, etapa necessária para a perda definitiva de patentes e condecorações.
