O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou nesta sexta-feira (8) à Corregedoria Parlamentar da Casa 18 denúncias contra 14 deputados federais que participaram da ocupação do plenário entre os dias 5 e 6 de agosto. A ação, promovida por parlamentares da oposição em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, paralisou os trabalhos legislativos por quase 48 horas.
Entre os amotinados estava o deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça (União Brasil). Ele ficou de fora da ação.
Entre os denunciados estão nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG), Marcel van Hattem (Novo-RS), Marcos Pollon (PL-MS), Zé Trovão (PL-SC), Júlia Zanatta (PL-SC), Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Camila Jara (PT-MS). As acusações incluem obstrução física, uso de força, agressões verbais e simbólicas, e até suposta agressão a um jornalista. Os parlamentares podem ser punidos com suspensão dos mandatos por até seis meses ou com sanções mais brandas, como a proibição de participação em comissões permanentes.
Segundo Motta, embora pudesse decretar o afastamento imediato por meio de ato da Mesa Diretora, optou por seguir o rito formal e encaminhar os pedidos à Corregedoria. O corregedor, deputado Diego Coronel (PSD-BA), deverá analisar as denúncias e decidir se os casos serão levados ao Conselho de Ética, que terá três dias para deliberar após o recebimento.
A ocupação do plenário foi marcada por episódios de tensão. Júlia Zanatta sentou-se na cadeira da presidência com sua filha de quatro meses no colo, o que, segundo partidos da base governista, configurou uso da criança como “escudo”. Zé Trovão foi acusado de impedir fisicamente o acesso de Motta à cadeira da presidência, enquanto Bilynskyj teria utilizado correntes, faixas e adesivos para encenar uma suposta censura, além de ocupar a Mesa da Comissão de Direitos Humanos.
A deputada Camila Jara, do PT, também foi incluída nas denúncias, acusada por parlamentares oposicionistas de empurrar o deputado Nikolas Ferreira durante a confusão. A assessoria da parlamentar nega qualquer agressão e afirma que houve apenas um “empurra-empurra”.








