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Morre Dirceu Lindoso, o maior historiador contemporâneo de Alagoas, terra que o esqueceu

Morreu Dirceu Accioly Lindoso, o maior historiador contemporâneo de Alagoas.

Morreu esquecido. Esquecido pela cidade de Maragogi, que o pariu.

Esquecido em Alagoas, que ele escreveu tão bem.

Pernambuco tinha Gilberto Freyre tão bem lembrado por nosso vizinho.

Alagoas tem Dirceu Lindoso e sua produção intelectual costurada pela História, Antropologia e memórias de sua família, cujo passado era o do comando dos engenhos.

Dirceu era diplomado pela Faculdade de Direito e Economia alagoana; professor conferencista do Instituto de Antropologia da UFBA; assessor do então Ministério da Educação e Cultura.

Dirceu tinha Póvoa-Mundo, como Gilberto Freyre tinha Sobrados e Mucambos. Tinha A Utopia Armada- Rebelião de Pobres Nas Matas do Tombo Real (1832-1850).

“Alagoas é o que se ama e dói”, me disse Dirceu, ao entrevistá-lo para meu livro, Alagoas, 200.

“Houve uma riqueza de poucos e uma pobreza de muitos. Esse foi o jeito que encontramos de criar Alagoas. Pois é bom que se diga: Alagoas nasceu de uma grande paixão. A paixão pela vida, a paixão pela morte. A paixão pela riqueza, a resignação pela pobreza. E desculpe-me o orgulho do nosso antigo Pernambuco, pelas escolhas que fizemos na História. Alagoas é terra mater”

Os defensores da Escola Sem Partido; da prisão de professores que falem sobre política e religião em sala de aula nunca leram Dirceu Lindoso.

Como nunca leram, não sabem o que dizer sobre ele.

Gostamos muito de distribuir medalhas, ‘oscar falsié’.

Dirceu não merece nada disso. Porque nada disso cabe para mostrar seu tamanho.

Perdão aos nossos incautos. Nosso Dirceu era um homem de muitas palavras.

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