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Moraes recebeu Michelle antes de transferência de Bolsonaro

A primeira-dama Michelle Bolsonaro durante o seminário Mães de Crianças com Microcefalia: Entendendo os Desafios e Superando o Preconceito, na Câmara dos Deputados.

Em uma movimentação de bastidores que surpreendeu a capital federal, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) na tarde desta quinta-feira (16).

O encontro ocorreu poucas horas antes de o magistrado determinar a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para o Comando de Policiamento Especializado, conhecido como “Papudinha”.

A informação, revelada inicialmente pelo portal Metrópoles, aponta que a reunião foi intermediada pelo vice-presidente da Câmara dos Deputados, Altineu Côrtes (PL-RJ).

Segundo fontes do Partido Liberal, Michelle fez um apelo direto ao ministro para que fosse concedida a prisão domiciliar ao marido, utilizando o estado de saúde do ex-mandatário como principal argumento.

Esta não foi a única investida diplomática da ex-primeira-dama nesta semana. Michelle tem cumprido uma agenda de conversas com magistrados da Suprema Corte, tendo se reunido também com o decano Gilmar Mendes.

O foco das queixas tem sido as condições da cela na Superintendência da PF, as quais Michelle classificava como inadequadas para as necessidades de Bolsonaro.

A ofensiva de Michelle parece ter surtido efeito sobre a percepção de parte do STF. Sob reserva, alguns ministros passaram a defender que o ex-presidente deveria cumprir a pena em regime domiciliar.

No entanto, prevaleceu a decisão de Moraes pela transferência para uma unidade militar, o que é visto como um meio-termo entre o sistema comum e a liberdade total.

Na decisão que selou a mudança, Alexandre de Moraes citou explicitamente as reclamações apresentadas pela esposa e pelos filhos de Bolsonaro.

O ministro argumentou que as novas instalações na “Papudinha” atendem de forma superior às exigências da defesa em seis pontos críticos: ampliação do espaço físico, acesso à alimentação adequada, garantia de banho de sol, aumento do tempo de visitação, além de suporte médico contínuo e a viabilidade de sessões de fisioterapia, fundamentais para o quadro clínico do ex-presidente.

Jair Bolsonaro deve ser acomodado na nova unidade ainda nesta noite, onde permanecerá sob custódia militar enquanto avançam as investigações e os processos judiciais.

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