O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta sexta-feira que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado seguirá normalmente, independentemente das sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos. Em discurso durante a reabertura dos trabalhos do Judiciário, Moraes declarou que não haverá interferência externa no andamento dos processos e que o STF manterá sua atuação de forma colegiada e soberana.
As sanções foram aplicadas por meio da Lei Magnitsky, instrumento usado pelos EUA para punir autoridades acusadas de violar direitos humanos. Moraes foi incluído na lista após acusações de censura e perseguição política, especialmente no contexto das investigações contra Bolsonaro e seus aliados. A medida também suspendeu vistos e bloqueou eventuais bens do ministro em território americano.
Moraes classificou as ações como tentativas de coação por parte de brasileiros foragidos que, segundo ele, articulam com governos estrangeiros para pressionar o Judiciário brasileiro. Sem citar nomes, o ministro mencionou uma “organização criminosa miliciana” que estaria atuando para desestabilizar as instituições nacionais e impedir o avanço das ações penais.
O ministro reafirmou que todos os réus envolvidos na suposta trama golpista serão julgados ainda neste semestre, incluindo Bolsonaro. Ele destacou que o STF não se curvará a ameaças, sejam elas internas ou externas, e que o devido processo legal será respeitado em todas as etapas.
A fala de Moraes ocorre em meio a uma escalada de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, após o governo Trump anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sanções contra autoridades do Judiciário. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com ministros do STF para demonstrar apoio institucional e reforçar a independência dos poderes.










