Mito, história e fé no mistério pascal para os destinatários da ‘nova Evangelização’

Os cristãos que celebram, neste tempo pascal, morte e ressurreição de seu Messias, com o nome programático de Jesus, que significa, “Deus salva”, se movimentam na mesma linha explicativa, entre mito, história e fé

Correio do Brasil

No passado, “ter”uma religião era a situação normal de indivíduos e povos. O “ter” uma religião,hoje, não é mais óbvio. Não ter religião não significa não ser religioso. No mundo moderno, as pessoas aprenderam ser justos e solidários, altruístas e egoístas, santos e pecadores sem religião com suas implicações e prescrições institucionais. As religiões, muitas vezes descartadas por causa de seu pensamento mítico e pré-moderno, aprenderam transformar partes de seus mitos em história. Quando, nessa transformação, chegaram a limites explicativos e operacionais de seus mitos e mistérios, exigiram fé.

Os cristãos que celebram, neste tempo pascal, morte e ressurreição de seu Messias, com o nome programático de Jesus, que significa, “Deus salva”, se movimentam na mesma linha explicativa, entre mito, história e fé. Compartilham com o resto dahumanidade que o mundo concreto da nossa vida não corresponde ao imaginário deum “paraíso” ou de um espaço perfeito.

Um Deus, que os cristãos consideram criador do mundo e imensamente bom, só poderia criar ummundo perfeito. Por conseguinte, o mundo bom foi perdido. Ao interpretar opesadelo de um paraíso perdido, criado por um Deus que consideram bom eperfeito, recorrem à figura explicativa do “pecado original” e a um mediadorhistórico, enviado por Deus, para sanar o mundo das consequências da rupturacausada pelo pecado.

O Mediador Jesus Messias (“Messias” significa “Cristo”) apontou, a partir de reparos verbais (“Sermão da Montanha”) e fatos históricos (“milagres” e”sinais”) para um horizonte de transformação (“o Reino de Deus no meio denós”), do qual poderá nascer um segundo paraíso que integra o mundo histórico num mundo transistórico. O espaço escatológico dessa reintegração ou reconciliação convencionou-se chamar de Mundo Novo, Paraíso, Terra sem Males,Céu, reino de Paz e Justiça.

Na vida dos cristãos, sobretudo dos pobres, mito, história e fé estão entrelaçados numa trama de leituras arquetípicas, lutas históricas e imagens de fé e esperança.

.