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Misoginia que mata: Harenaki Javaé, vítima

A primeira informação que tive sobre a hediondez cometida contra mais uma mulher indígena brasileira, veio do perfil de Ingrid Sateré Mawé, primeira vereadora indígena de Florianópolis. O crime aconteceu no Tocantins, mas feriu o Brasil.

Não consegui ir adiante em leituras sobre o ocorrido, precisei de um tempo, um respiro, para processar os requintes de crueldade que foram utilizados contra aquele corpo juvenil.

Violência física sempre carrega simbolismos, deixa mensagens para além do visível. Destruir um corpo que reage, se debate, implora pelo não sacrifício, nos diz muito sobre o feminicida.

Harenaki, filha do povo Javaé, foi violentada e morta nas proximidades de sua aldeia, enquanto acontecia um festejo. Informações atualizadas dizem que além de uma deficiência intelectual, a jovem estaria no início de uma gravidez.

Viveu apenas 18 anos, por decisão de outrem.

Quem matou?

Antes da resposta já sabemos. Foi a misoginia em forma de corpo humano. Foi o ódio que se manifestou mais uma vez, matando uma mulher pelo simples fato de ser fêmea.

A vítima de feminicídio carrega na biologia a sua causa de morte.

Mas com Harenaki Javaé, a crueldade ganhou hediondez por ter sido queimada viva, ter órgãos retirados do corpo, lhe negando mais do que o direito de viver, mas também uma corporeidade idônea.

A deformação das vítimas é muito presente em casos de abusos e demais violências contra mulheres.

Enquanto sociedade nós somos convocados a analisar estes perfis criminosos específicos, porque muito antes de cometer o crime, este tipo de algoz já carrega ódio suficiente para deformar corpos e apagar a chama viva das mulheres.

Expressamos solidariedade mas junto ao este manifesto, nosso clamor contra toda manutenção de misoginia e incentivo às práticas de violência de gênero, ecoa.

É muito importante punir na forma da lei ao feminicida. É muito importante educar a sociedade contra a normalização do feminicídio.

 

 

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