A crise diplomática entre Brasil e Israel se aprofundou nesta terça-feira, após o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, publicar uma mensagem em português na rede social X, na qual acusa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ser um “antissemita declarado e apoiador do Hamas”.
A declaração foi feita em referência à recente saída do Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA).
“Agora ele revelou sua verdadeira face como antissemita declarado e apoiador do Hamas ao retirar o Brasil da IHRA — o organismo internacional criado para combater o antissemitismo e o ódio contra Israel — colocando o país ao lado de regimes como o Irã”, escreveu Katz.
Quando o presidente do Brasil, Lula @LulaOficial, desrespeitou a memória do Holocausto durante meu mandato como Ministro das Relações Exteriores, declarei-o persona non grata em Israel até que pedisse desculpas.
Agora ele revelou sua verdadeira face como antissemita declarado e… pic.twitter.com/O0rzmTYqPA— ישראל כ”ץ Israel Katz (@Israel_katz) August 26, 2025
O ministro também divulgou uma imagem gerada por inteligência artificial em que Lula aparece como um fantoche controlado pelo líder supremo do Irã, Ali Khamenei.
A saída do Brasil da IHRA, no final de julho, foi justificada pelo assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim.
Em entrevista, ele afirmou que o Brasil se sentia “manipulado” pela definição de antissemitismo da organização, alegando que “qualquer defesa da Palestina” era enquadrada como antissemitismo.
Amorim reforçou que o Brasil não nega o Holocausto, mas argumentou que a memória do genocídio não deve ser usada para justificar o que ele descreveu como um “genocídio na Palestina”.
A tensão escalou ainda mais na segunda-feira (25), quando o governo israelense retirou a indicação do diplomata Gali Dagan para o posto de embaixador em Brasília. A nomeação, que aguardava a aprovação brasileira desde janeiro, não havia sido autorizada.
Em resposta, Israel informou ao Itamaraty que as relações diplomáticas entre os países seriam afetadas. Fontes ligadas ao caso afirmam que o Brasil não tem interesse em ampliar as relações com Israel até o fim do conflito em Gaza.
A crise já havia atingido seu ápice no ano anterior, quando o Brasil aderiu ao processo na Corte Internacional de Justiça que acusa Israel de genocídio. Em fevereiro, Lula comparou as ações israelenses em Gaza às de Hitler contra os judeus, o que resultou em sua declaração de “persona non grata” em Israel.
Em resposta, o governo brasileiro removeu seu embaixador, Frederico Meyer, de Israel em maio de 2024, após ele ter sido publicamente constrangido por Israel Katz em uma visita ao Museu do Holocausto. O Brasil ainda não submeteu um novo nome para o posto.
