A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) deu início a uma ofensiva diplomática no Judiciário para tentar flexibilizar a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesta semana, Michelle reuniu-se com o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), para relatar um suposto agravamento nas condições de saúde do marido e solicitar sua intermediação em favor de uma prisão domiciliar humanitária.
A informação, antecipada pela jornalista Andréia Sadi, revela que a estratégia de Michelle é sensibilizar Gilmar Mendes para que ele dialogue com os demais integrantes da Corte. O foco principal seria o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, que tem mantido uma postura rígida em relação à custódia do ex-presidente.
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após condenação por envolvimento em uma trama golpista. Recentemente, a defesa intensificou os pedidos de transferência para o regime domiciliar após o ex-presidente sofrer uma queda e bater a cabeça na cela, além de episódios relatados de alucinações e crises de soluço.
Barreira no gabinete de Moraes
Apesar dos esforços da ex-primeira-dama, o caminho jurídico permanece travado. No último dia 1º de janeiro, logo após Bolsonaro receber alta do Hospital DF Star, onde esteve internado desde a véspera do Natal para procedimentos cirúrgicos e clínicos, o ministro Alexandre de Moraes negou sumariamente o pedido de prisão domiciliar.
Na decisão, Moraes destacou a “total ausência dos requisitos legais” para o benefício e apontou o risco concreto de fuga. O ministro ressaltou que a Superintendência da PF oferece suporte médico 24 horas e que os laudos hospitalares indicavam melhora no quadro clínico após as cirurgias, tornando o ambiente prisional compatível com o tratamento necessário.
Nos bastidores, a movimentação de Michelle é vista como uma tentativa de evitar que a imagem do STF e do governo federal seja desgastada caso o estado de saúde de Bolsonaro se deteriore sob custódia oficial. Gilmar Mendes, embora tenha recebido a ex-primeira-dama, mantém publicamente o apoio às decisões colegiadas da Corte, deixando a solução do impasse nas mãos de Moraes e do plenário.
