A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro presenteou o público do evento do PL Mulher em Londrina (PR), no último sábado (08/11) com uma visão controversa do papel feminino, defendendo a chamada “submissão saudável” da mulher ao marido.
Em pleno 2025, a líder do braço feminino do Partido Liberal optou por resgatar um manual de instruções com raízes bem profundas.
O Evangelho da Auxiliadora e a Submissão ‘Saudável’
Em um discurso permeado por referências religiosas, a ex-primeira-dama detalhou o que considera seu “chamado” e “propósito na terra” como mulher.
“A Bíblia fala da submissão da esposa ao marido, mas é a submissão saudável”, declarou Michelle, antes de explicar o contexto que a torna, aparentemente, uma ótima negociação: “Maridos, amai suas esposas como Deus amou o mundo e entregou o seu único filho… É muito amor, não é, queridos?”.
A implicação é clara: a submissão feminina se torna “saudável” mediante um amor masculino de proporções divinas. Um negócio de alto risco e alta recompensa, mas certamente uma fórmula simples para a complexidade conjugal moderna.
A lógica se estende ao lar: “A mulher fazer uma comidinha gostosa para o marido, cuidar da casa, isso não te menospreza como mulher,” afirmou Michelle, assegurando que tais atividades, longe de serem serviços não remunerados ou expectativas de gênero, são, na verdade, ferramentas poderosas para criar “conexões afetivas” com os filhos.
A “Política Colaborativa” Contra as “Feministas Demonizadoras”
Como presidente nacional do PL Mulher, a ex-primeira-dama, previsivelmente, instou as mulheres “de bem” a entrarem na política, mas com um adendo crucial: a missão não é competir, mas sim colaborar com os homens.
Segundo ela, a política feminina do PL é “diferenciada” e marcada pela “feminilidade”, contrastando fortemente com o comportamento das adversárias. Michelle não poupou críticas às mulheres que, segundo ela, são eleitas para “defender o aborto, para defender a morte de bebês inocentes”, “defender tudo que não presta” ou “ficar do lado do criminoso”.
A tese é que o PL Mulher está ali para apoiar, caminhar junto e fortalecer o partido visando 2026, evitando a “demonização da figura masculina” — um hobby, nas palavras da ex-primeira-dama, praticado com “muita propriedade” pelas feministas e parlamentares de esquerda, especialmente as do PSOL e do PT.
Em suma, a mensagem de Michelle para a mulher na política brasileira é que o caminho para o poder passa pelo aconchego da cozinha e pelo apoio incondicional à figura masculina, pavimentando o caminho para um futuro político onde a submissão, desde que saudável, é a chave para a vitória.
