Após 26 anos de complexas negociações, o Mercosul e a União Europeia (UE) selarão, neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai, o maior tratado de livre comércio do mundo. O evento, no entanto, será marcado por uma ausência diplomática de peso: o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva será o único chefe de Estado do bloco sul-americano a não comparecer à cerimônia de assinatura na capital paraguaia.
A presidência do Paraguai, que atualmente ocupa o comando rotativo do Mercosul, confirmou à CNN Brasil as presenças dos presidentes Santiago Peña (Paraguai), Javier Milei (Argentina) e Yamandú Orsi (Uruguai). Para representar os interesses brasileiros no ato oficial, o Palácio do Planalto escalou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Apesar da ausência em Assunção, a agenda diplomática entre Brasil e Europa terá um capítulo importante antes da assinatura. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, desembarca no Brasil nesta sexta-feira (16) para uma reunião bilateral com Lula, no Rio de Janeiro. O encontro é visto como um gesto de cortesia e coordenação política final antes da formalização do pacto comercial.
O acordo cria uma zona de livre comércio sem precedentes, abrangendo um mercado de 720 milhões de habitantes e unindo um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de US$ 22 trilhões. Pela sua magnitude e alcance, o tratado Mercosul-UE passa a ser o maior do mundo nesta categoria, prometendo transformar o fluxo de bens, serviços e investimentos entre os dois continentes.
Mesmo com a assinatura solene neste final de semana, a implementação prática do tratado ainda levará tempo. Para que as novas regras entrem em vigor, o texto precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos legislativos nacionais de cada um dos países membros do Mercosul, individualmente.
