Sustentar uma mentira é sempre mais difícil do que encarar a verdade, fui aprendendo com os bordões domésticos, orientações das professoras e convívios de religiosidade.
“Mentiras tem pernas curtas”, me diziam. Caminha pouco tempo e já não alcança se passar por verdade, advertiam-me.
Mas talvez a mais interessante tenha sido aquela fala que me dizia, um dia: “Uma mentira não se sustenta sozinha”.
Para manter uma mentira de pé, outras tantas precisarão ser criadas!
Enfim, dá um trabalho e tanto seguir sustentando e criando mentiras novas, que gerarão uma cadeia imensa, a gastar energia mental com capacidade alienante intensa.
O fabricante de mentiras perde o contato com a verdade, no afã de preservar uma estranha honra.
Penso em nosso país, nas verdades sucateadas pelas mentiras que desqualificam, dificultam a existência e de tantas formas matam!
Lembro dos irmãos espíritas, que mentem para si mesmos na ilusão de uma sociedade violentamente amorosa, sem “comunistas” e dirigida por milicianos “bonzinhos” que cantam ditaduras e torturas, sem morte, assassinatos e sangue.
Ilusão de embrulhar estômago! Quando a razão serviu como estampa discursiva de quem se anunciou seguidor de um Evangelho desatado de nós atávicos!
E agora como farão para sustentar a mentira que é Bolsonaro na presidência, diante de um saldo grotesco de 80 tiros em quem se dirigia a um inocente chá de bebê?
Começo a ter mais empatia com nossos irmãos caídos na infame armadilha da bifurcação classista, elitista embebida em viscoso darwinismo social.
De agora em diante, será cada vez mais difícil manter a mitologia bolsonariana diante das trágicas realizações do previsto.
Uma sociedade de polícia sob a ênfase da violenta emoção não vai parar de matar brasileiros. E para sustentar esta ilusão, quantos sujarão as próprias mãos neste sangue-irmão?
