Medo e risco de morte em novos pedidos de tropas federais, encaminhados ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Alagoas: desta vez, são os juizes das cidades de Paulo Jacinto, Campo Alegre e Penedo.
Em Paulo Jacinto, o número de homicídios ultrapassa 500% (de duas mortes em 2010 para 12, em 2011).
“O cancelamento da festa de emancipação política da cidade e o baixo efetivo da polícia judiciária local também são preocupações do magistrado”, diz nota do tribunal.
Segundo o juiz Ferdinando Scremin Neto, apenas um agente da Polícia Civil atua diariamente no expediente da delegacia e o delegado responde cumulativamente por seis distritos policiais na região, além de atuar no plantão interno junto à Delegacia de Polícia de Viçosa. A Polícia Militar conta apenas com três policiais no município.
“O clima político está tenso e já houve incidentes inclusive na Câmara de Vereadores e em atos públicos partidários e a presença do Exército se faz imperiosa para garantir a tranquilidade do pleito”, destacou o juiz eleitoral, ressaltando, ainda, que fontes do serviço de inteligência já detectaram atividades ligadas ao PCC – Primeiro Comando da Capital, na área de Paulo Jacinto e adjacências.
Em Campo Alegre, os candidatos, tentam conseguir votos utilizando ameaças, violência e coação como instrumentos de intimidação do eleitor.
“Os dois candidatos a cargo de prefeito, Miguel Joaquim dos Santos Neto e Cícero Ferreira Neto, bem como o atual prefeito e tio do candidato Miguel Joaquim, segundo informações repassadas pelo Ministério Público Eleitoral, estariam a transitar pelo município de Campo Alegre acompanhados de inúmeros ‘capangas’, civis e militares, com armas de fogo em punho, caracterizando formação de grupos armados, o que já foi objeto de pedido de investigação, por parte deste Juízo, pelas polícias civil e federal”, diz o juiz.
Em Penedo, o confronto é entre as famílias Beltrão e Toledo. O juiz eleitoral da 13ª Zona, Claudemiro Avelino de Souza, diz que o quadro político é semelhante ao de 2008- quando foram veiculados boatos e insinuações acerca da lisura do pleito eleitoral e desencadeou um sério episódio que resultou em apedrejamento, queima de pneus, danos em viatura policial e ameaça de invasão no cartório eleitoral.
Segundo ele, os graves insultos de conteúdo eleitoreiro dirigidos ao presidente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Penedo, José Gois Machado, ocorrido em 14 de agosto último e o caso do assassinato de um correligionário, em decorrência de discussão geradas por discrepâncias nas opiniões sobre as qualidades dos candidatos, também são razões que devem ser observadas pela Justiça Eleitoral no momento da análise do envio das tropas federais.
“O alto número de proposituras de representações eleitorais e pedidos de Direito de Resposta em curto período – de 07 de agosto a 03 de setembro –, totalizando 29 pleitos, serve de diagnóstico para aferir o atual clima acirrado de disputa”, explica o juiz eleitoral.