O cenário político na capital federal deve sofrer um abalo sísmico nesta terça-feira (3), com um movimento que promete redesenhar as alianças para o próximo ciclo eleitoral.
Representantes de diretórios do MDB de 17 estados desembarcam em Brasília com uma missão clara: entregar um manifesto oficial à presidência nacional do partido formalizando oposição a qualquer tentativa de aliança institucional com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O que apurou a CNN Brasil é que os cálculos internos da legenda indicam que o documento carrega o peso de aproximadamente 70% da convenção nacional, o que, na prática, retira o tapete de uma coalizão formal com o petismo e empurra a sigla para uma neutralidade estratégica.
Embora o MDB ocupe cadeiras ministeriais na Esplanada e mantenha redutos de fidelidade ao governo em estados como Pará e Alagoas, a insatisfação da base partidária atingiu um ponto de ruptura.
A ideia central do manifesto não é necessariamente expulsar os aliados de Lula da legenda, mas garantir a liberdade para que a ala majoritária siga caminhos opostos, evitando que o partido seja arrastado para um projeto de reeleição com o qual não se identifica.
Líderes regionais argumentam que o partido precisa recuperar sua identidade e parar de ser figurante em uma polarização que muitas vezes o agride.
Um dos tons mais duros dessa articulação vem de Goiás. O vice-governador Daniel Viela, presidente estadual da sigla, não poupou críticas à postura do PT e classificou como inaceitável que o MDB aceite passivamente ataques da militância governista.
Para ele, é contraditório que o partido seja rotulado com termos pejorativos, inclusive em manifestações culturais financiadas por setores ligados ao governo, e ainda assim cogite caminhar lado a lado com o Palácio do Planalto.
Essa percepção de hostilidade mútua tem servido de combustível para que os emedebistas busquem novos horizontes políticos longe da órbita petista.
O destino desse divórcio político já parece ter endereço certo: as fileiras do PSD de Gilberto Kassab. Existe uma simpatia crescente dentro do MDB por um projeto de terceira via encabeçado pelo partido vizinho, que planeja definir nas próximas semanas seu candidato à presidência entre os governadores Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite.
Com alianças regionais já em estágio avançado em diversos estados, o manifesto desta terça-feira é o sinal mais claro de que, enquanto o governo tenta segurar o MDB pela estrutura ministerial, a alma do partido já caminha em direção a uma oposição que pode ser decisiva no tabuleiro sucessório.








