Manifestantes param em frente ao edifício Tartana, na praia de Ponta Verde, onde a visão do mar é das mais

privilegiadas: a enseada da praia de Pajucara e o farol na praia.
Do lado de fora, preparam baldes, sabão e água. Lavam as calçadas do edifício de luxo. Lá mora o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB).
“Desce ladrão”, gritam. Renan não aparece na sacada. Vizinhos filmam. O deputado federal Pedro Vilela (PSDB)- eleito graças ao palanque de Dilma Rousseff em Alagoas e sempre lado a lado ao hoje governador Renan Filho (PMDB)- estava próximo cinco metros da “lavagem”.
Era o fim da caminhada pela orla de Maceió.
“Se Dilma não sair, Renan vai cair”;
“Acorda Renan, leve em votação o impeachment de Dilma”.
Durante a caminhada, tucanos nas ruas: o advogado Geminiano Jurema, a presidente nacional do PSDB Mulher, Solange Jurema, Claudionor Araújo, Eduardo Magalhães.
No quinto andar de um edifício na Ponta Verde, um discreto presidente do Tribunal de Justiça, Washington Luiz Damasceno Freitas, vestido de camisa e bermuda pretas, punha a mão esquerda no queixo; a direita logo abaixo do cotovelo esquerdo. Era um dos tantos espectadores da passeata- uns mais eufóricos, outros em silêncio, observando, como era o caso dele.
No chão, manifestantes entoavam:
“Vem pra rua derrubar o PT”.
“Petistas bolivarianos, o PT está acabando”.
“Lula é o pai do mensalão, Dilma do petrolão, o povo tem razão: no PT só tem ladrão”
“Vai pra papuda que te pariu, Dilma”.
Cartazes com “Fora PT”, “Fora Toffoli” e “Fora Dilma” circulavam na manifestação. Bandeiras do Brasil vendidas a R$ 10; água a R$ 2.
Vendedores de água, refrigerante e cerveja abaixavam os preços. Não queriam voltar para casa de mãos vazias.